Kaelyson Moraes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Reeleito para um quarto mandato no último domingo, 25/10, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá completar 16 anos na Presidência da República até 2030. Com isso, ficará atrás apenas de Getúlio Vargas em tempo de governo na história do Brasil, considerando os períodos acumulados no cargo.
O cenário levanta discussões sobre a concentração de poder e a alternância política. Para o analista político da Rede Rios de Comunicação, Diogo da Luz, a permanência prolongada de um mesmo presidente pode ampliar o personalismo na administração pública e concentrar indicações para cargos estratégicos.
“Qualquer país presidencialista, que é o caso do Brasil, que eleja quatro vezes uma mesma pessoa para presidir, tem um problema sério pela frente. Pode ser o melhor homem do mundo, a melhor das intenções e tudo perfeito, mas vejam que onde você tem Judiciário, Executivo, agências, estatais, uma série de empresas e entidades, além dos órgãos públicos propriamente intrinsecamente ligados ao presidente, ele vai nomear muitas, muitas pessoas e vai deixar um personalismo muito grande. É um Estado que vai ficando ‘fulanizado’, esse é o grande problema”, declarou.
Segundo o especialista, as indicações feitas ao longo de vários mandatos podem fazer com que uma mesma visão política predomine em decisões importantes para o país. Ele também destacou que a alternância de poder permite a participação de diferentes perspectivas na democracia.
“Um presidente que repita o mesmo tipo de falhas muitas vezes vai trazendo lacunas para um país que fica com problema. Seja na segurança, seja no ensino, seja na saúde ou onde for, mesmo na cultura. A alternância de poder é importantíssima”, avaliou.

Diversidade e alternância na democracia
Diogo da Luz também ressaltou a diversidade de ideias como parte fundamental do sistema democrático. Para ele, a alternância no comando do país contribui para ampliar o debate e incorporar diferentes perspectivas políticas.
“O próprio Lula, ou melhor, as pessoas no seu entorno falam muito disso, como é boa a diversidade, é preciso valorizar a diversidade, e eu concordo plenamente. Nada mais maravilhoso no ser humano do que a diversidade, justamente. Não tem duas pessoas idênticas, os pensamentos são muitos, nós não somos simplesmente de direita ou de esquerda, dentro de cada espectro há uma infinidade de pensamentos e discordâncias e ideias, e a alternância no poder é que justamente enriquece esses valores tão importantes que fazem a gente crescer”, declarou.
Histórico eleitoral de Lula
Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, quando perdeu para Fernando Collor de Mello. Em 1994 e 1998, foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso.
A primeira vitória veio em 2002, quando venceu José Serra no segundo turno. Em 2006, Lula foi reeleito após derrotar Geraldo Alckmin, atual vice-presidente.
Impedido de disputar um terceiro mandato consecutivo, Lula apoiou Dilma Rousseff (PT), eleita em 2010 e reeleita em 2014. Em 2018, Lula ficou fora da disputa após ser preso no contexto da Operação Lava Jato. Naquele ano, o PT lançou Fernando Haddad, derrotado por Jair Bolsonaro.
Lula foi solto em 2019 e voltou à disputa presidencial em 2022, quando venceu Bolsonaro no segundo turno. Em 2026, superou Flávio Bolsonaro (PL) e conquistou um novo mandato, com previsão de permanência na Presidência até 2030.
Os governos de Getúlio Vargas
Getúlio Vargas chegou ao poder em 3 de novembro de 1930, após a Revolução de 1930, que depôs o então presidente Washington Luís. Em 1934, foi eleito presidente pela Assembleia Constituinte. Três anos depois, dissolveu o Congresso e instaurou o Estado Novo, regime que durou até 1945, quando foi deposto.
Após deixar o poder, Vargas foi eleito senador pelo Partido Social Democrático (PSD), com mandato iniciado em 1946. Em 1950, concorreu à Presidência pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e venceu com 48,7% dos votos. Assumiu em 1951 e governou até agosto de 1954, quando tirou a própria vida.
Ao longo de seus períodos no governo, Vargas acumulou mais de 18 anos no poder.






