Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) detalhou a dinâmica do assassinato de Paloma, mulher trans de 28 anos, morta em 27 de setembro, no bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus. Um homem de 26 anos, identificado como Jackson Silva dos Santos, foi preso na sexta-feira, 16/10, suspeito de participar do crime.
Segundo a investigação, ele teria recebido R$ 1 mil para ajudar um adolescente de 16 anos na execução.
De acordo com o delegado Hugo Albernaz, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o adolescente é apontado como autor dos disparos, enquanto Jackson teria auxiliado na preparação e na execução da ação.
O suspeito foi localizado em casa, no bairro Gilberto Mestrinho, também na zona Leste da capital, onde os policiais cumpriram um mandado de prisão temporária. Durante a abordagem, ele informou que carregava um revólver calibre .38 na cintura. A arma foi apreendida e deverá passar por perícia para verificar se foi utilizada no homicídio.
Segundo a polícia, Jackson confessou participação no crime e forneceu informações sobre a ação. Os investigadores também apreenderam roupas, chinelos e outros objetos que teriam sido utilizados por ele no dia do assassinato.
Desentendimento em adega teria motivado o crime
Conforme a investigação, o caso começou após um desentendimento entre Paloma e o adolescente em uma adega na avenida Itaúba.
Segundo o relato policial, os dois se esbarraram ao entrar no banheiro. A vítima estaria com uma substância entorpecente nas mãos, que caiu durante o contato. Em seguida, Paloma teria dado dois tapas no rosto do adolescente.
Após o episódio, o jovem deixou o estabelecimento e esperou a vítima sair. De acordo com o delegado, ele acompanhou Paloma até a residência para identificar o endereço.
“A partir disso, inconformado com a situação, o adolescente sai do estabelecimento comercial, espera Paloma sair do estabelecimento também. Ele faz o acompanhamento de Paloma até a sua residência”, relatou Albernaz.
Suspeitos teriam retirado placa de motocicleta
A investigação aponta que, no dia 20 de setembro, por volta das 14h30, os suspeitos combinaram um encontro e utilizaram uma motocicleta sem placa para dificultar a identificação do veículo.
Os dois teriam seguido até a casa de Paloma, estacionado em frente ao imóvel e pulado o muro. Conforme a versão apresentada pelo delegado, Jackson permaneceu próximo à entrada da kitnet, enquanto o adolescente entrou na residência.
“Ele relata que, ao entrar na kitnet, Paloma estava deitada com uma toalha. Assustada, ela levanta e vai em direção ao adolescente. Nesse momento, ele efetua pelo menos quatro disparos de arma de fogo”, afirmou Albernaz.
Após os tiros, os dois teriam fugido. A polícia ainda não conseguiu determinar o destino da motocicleta, mas apreendeu roupas e outros objetos que, segundo os investigadores, ajudam a vincular Jackson à ação.
Revólver será submetido à perícia
Durante o cumprimento do mandado de prisão, Jackson informou que estava armado. Segundo o delegado, durante o interrogatório, o suspeito afirmou que o revólver calibre .38 apreendido teria sido utilizado no homicídio.
“Em seu interrogatório, o Jackson afirmou que aquele revólver teria sido utilizado no crime”, declarou Albernaz.
A arma será submetida à análise pericial para verificar se há correspondência com os vestígios coletados durante a investigação.
Adolescente é apontado como autor dos disparos
Segundo o delegado, o adolescente de 16 anos é apontado como responsável pelos disparos que mataram Paloma. Albernaz afirmou ainda que o jovem havia passado por internação cerca de um mês antes do crime.
A polícia também investiga a participação dos dois na preparação da ação, incluindo o aluguel da motocicleta utilizada. De acordo com o delegado, o adolescente teria tentado assumir sozinho a responsabilidade por parte dessa etapa.
Com a prisão de Jackson, a DEHS considera esclarecidas a autoria e as circunstâncias do homicídio. A conclusão do inquérito e a responsabilização dos envolvidos seguirão os procedimentos legais, considerando que o adolescente está sujeito à legislação específica para menores de idade.






