Paulo Vitor Castro – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, anunciou o reforço das investigações sobre possíveis ações coordenadas para provocar incêndios florestais criminosos no Amazonas. A apuração também conta com a participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A declaração foi feita durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira, 14/10.
Segundo o ministro, ainda não há provas de uma articulação criminosa, mas relatos de profissionais que atuam no combate às chamas levantaram suspeitas. A investigação busca verificar se há relação entre os incêndios no estado e episódios como o chamado “Dia do Fogo”, registrado no Pará, ou as queimadas ocorridas em São Paulo em 2024.
“Há suspeitas de uma ação organizada. Por isso, além dos órgãos que já atuam no caso, a Abin também participa de todas as investigações para verificar se há indícios de que esteja se repetindo o que ocorreu em outro momento no Pará, no chamado ‘Dia do Fogo’, marcado por uma ação combinada”, declarou Capobianco.
O ministro afirmou que brigadistas e bombeiros relataram ameaças de pessoas que disseram que voltariam a atear fogo após a saída das equipes. Também há relatos de veículos transportando combustível para ser utilizado em áreas de vegetação e estradas.
Durante a coletiva, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jair Schmitt, informou que uma equipe que realizava o lançamento de água sobre áreas incendiadas flagrou pessoas iniciando um foco de fogo.
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Segundo Schmitt, o piloto e o auxiliar da aeronave fizeram um voo mais baixo e conseguiram registrar a situação. A equipe também obteve as coordenadas geográficas do local, que está sob investigação.
“A nossa equipe estava realizando um desses lançamentos de água quando, em um dos percursos, o piloto e o auxiliar avistaram pessoas com objetos nas mãos, iniciando o fogo”, relatou.
Força-tarefa registra 120 procedimentos criminais
O secretário de Segurança Pública do Amazonas, coronel Anézio Paiva, informou que a Polícia Civil instaurou 120 procedimentos criminais relacionados às queimadas no estado. Segundo ele, parte dos registros corresponde a Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs).
De acordo com Paiva, as operações utilizam drones com câmeras térmicas e aeronaves para identificar possíveis responsáveis pelo início dos incêndios. As equipes em terra atuam principalmente nos municípios de Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Autazes e Iranduba.
As ações incluem apreensão de combustível e condução de suspeitos às delegacias, entre elas a Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema).
Investigação reúne órgãos estaduais e federais
Após a reunião no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI), as autoridades decidiram ampliar as investigações. A força-tarefa reúne a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Abin, as polícias Civil e Militar do Amazonas e órgãos de fiscalização ambiental.
Segundo o secretário de Segurança Pública, as equipes também se baseiam no Decreto Estadual nº 55.339, que proíbe o uso do fogo por 120 dias, para registrar ocorrências. Situações como a presença de pessoas com galões de combustível nas proximidades de focos de incêndio podem ser documentadas para investigação.






