Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “A pressão por resultado, desvalorização salarial e o aumento na burocracia é grande”, afirmou uma professora da rede municipal de ensino de Manaus em relato publicado nas redes sociais.
A manifestação ocorreu após uma reportagem do Portal RIOS DE NOTÍCIAS divulgar uma investigação da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) sobre as condições de trabalho nas escolas municipais.
Professores da rede municipal de Manaus relatam excesso de cobranças, salas superlotadas e falta de profissionais para auxiliar no atendimento aos alunos.
Uma professora que afirma trabalhar há oito anos na rede diz que o desgaste mental se intensificou desde o ano passado, com diversas cobranças por resultados.
“A pressão por resultado, a desvalorização salarial e o aumento na burocracia. Eu sou professora na rede há 8 anos e desde o ano passado sinto-me esgotada mentalmente, tudo isso por conta das cobranças por resultados e alcance de metas. E nenhum reconhecimento”, relatou.

A mesma denúncia aponta para uma rotina em que, segundo os profissionais, as exigências por desempenho não são acompanhadas de condições adequadas para desenvolver o trabalho em sala de aula.
“Salas estão lotadas e os professores sem auxiliares, os professores acabam tendo que fazer o papel de cuidadores”, escreveu um internauta nos comentários.

A situação também é exposta em outra denúncia, que menciona a presença de crianças atípicas sem o suporte necessário e a dificuldade de atender turmas numerosas.
“Sala de aulas superlotadas, Semed com inúmeros projetos, cobrança por toda parte, índices elevados para alunos desacompanhados, muitas crianças atípicas sem apoio escolar”, relatou outro usuário.

‘Muito papel para preencher fora da realidade’
A quantidade de tarefas administrativas também é um dos pontos criticados nos comentários enviados à reportagem.
“Sala lotada e muito papel para preencher fora da realidade de sala de aula. Papel é tudo lindo e perfeito, porém a realidade é outra”, escreveu um internauta.

Outro internauta questiona a pressão sobre os professores e a atuação de gestores em relação aos resultados dos alunos.
“Depois que muitos gestores se tornaram aliados desse sistema recluso de apenas passar alunos, quase nenhum professor pôde exercer mais sua profissão de fato. Cobranças? Muitas! Represálias? Muitas também. E a educação cada vez mais sendo jogada no lixo”, afirmou.

Defensoria investiga adoecimento mental de profissionais
As queixas surgem após uma investigação da Defensoria Pública do Estado sobre o adoecimento mental de profissionais da educação municipal.
Dados da Junta Médico-Pericial da Secretaria Municipal de Administração (Semad) apontam 925 registros de afastamentos de professores por depressão e transtornos de ansiedade em 2025.
Desse total, a investigação apontou um quantitativo de 289 casos relacionados à depressão e 636 a transtornos de ansiedade.
A Defensoria abriu um Procedimento Coletivo Estruturante (PCE) para identificar possíveis fatores associados às condições de trabalho e verificar se existem políticas públicas adequadas de prevenção da saúde mental dos servidores.
A DPE-AM ainda solicitou à Prefeitura de Manaus informações sobre os afastamentos registrados em 2026 e o quadro de profissionais da rede municipal. Os órgãos acionados receberam prazo de 15 dias para responder.
Veja publicação:
Respostas
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Secretaria Muncipal de Educação (Semed), da Prefeitura de Manaus, para solicitar esclarecimentos sobre as denúncias de professores da rede municipal e aguarda respostas da pasta.






