Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus e municípios do interior do Amazonas registram níveis preocupantes de poluição atmosférica nesta quarta-feira, 14/10, mesmo com o reforço federal nas operações de combate às queimadas.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA) apontam concentrações de material particulado fino (MP2.5) acima de 125 microgramas por metro cúbico (µg/m³), faixa classificada como péssima pela escala utilizada no sistema.
Na capital, Compensa e São Jorge registraram 197,1 µg/m³, o maior índice entre os pontos de monitoramento de Manaus apresentados nos dados. No interior, Maués liderou os registros, com 238 µg/m³. Itacoatiara, Urucará, Parintins e Itapiranga também apresentaram níveis elevados de poluição.
Maués registra maior concentração no interior


Maués atingiu 238 µg/m³ de MP2.5, o maior valor entre os municípios do interior listados nos dados do SELVA. Itacoatiara registrou 166 µg/m³, enquanto Urucará chegou a 160,5 µg/m³.
Em Parintins, uma estação na região Sul marcou 141,2 µg/m³. Já Itapiranga apresentou 132,8 µg/m³. Em Urucurituba, a concentração foi de 121,9 µg/m³, índice classificado como muito ruim.
Outros municípios apresentaram valores menores. Boa Vista do Ramos registrou 29,1 µg/m³; Barreirinha, 28,6 µg/m³; e Nhamundá, 27,4 µg/m³, níveis classificados como moderados pela escala informada.
Compensa e São Jorge lideram índices em Manaus

Na capital amazonense, os maiores índices foram registrados nas regiões de Compensa e São Jorge, com 197,1 µg/m³.
Na zona Sul, áreas de Petrópolis e Cachoeirinha chegaram a 183 µg/m³. Morro da Liberdade, Educandos e Colônia Oliveira Machado registraram 168,3 µg/m³, enquanto pontos de Aparecida, São Raimundo e Centro alcançaram 167 µg/m³.
Na região Centro-Sul, Parque 10 de Novembro e Chapada apresentaram medições de até 144,4 µg/m³. Nossa Senhora das Graças e Adrianópolis registraram 124,1 µg/m³, enquanto Flores e Aleixo chegaram a 122,3 µg/m³.
Na zona Leste, áreas de Aleixo e Coroado atingiram 135,9 µg/m³. No Distrito Industrial I, próximo à Vila Buriti, a concentração chegou a 130,7 µg/m³. Outros pontos do Coroado e de Armando Mendes registraram 117,4 µg/m³ e 85,1 µg/m³, respectivamente.
Entre os menores índices apresentados para Manaus, a região de Tarumã, Aeroporto Internacional e Redenção registrou 33,2 µg/m³, valor moderado. No Distrito Industrial II e em Puraquequara, a medição foi de 58,1 µg/m³, classificada como ruim.
Amazonas registra 1.372 focos de calor em 12 dias
O Amazonas contabilizou 1.372 focos de calor entre 1º e 12 de outubro, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Autazes liderou os registros entre os municípios citados, com 109 focos detectados por satélite. Itacoatiara aparece na sequência, com 42, seguida por Manaquiri, com 35; Manacapuru e Novo Aripuanã, com 32 cada; Maués, com 30; e Careiro e Borba, com 27 cada.
Os focos de calor são indicadores utilizados para identificar possíveis queimadas e incêndios, mas não representam necessariamente ocorrências de incêndios florestais confirmadas individualmente.
Os registros reforçam a pressão sobre as equipes de combate às chamas e de fiscalização ambiental, especialmente em áreas de difícil acesso.
Fumaça pode agravar problemas respiratórios
O MP2.5 é formado por partículas finas que podem penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição a essas partículas pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, sobretudo entre crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes.
Na escala apresentada pelo SELVA, as concentrações são classificadas como boas entre 0 e 25 µg/m³; moderadas entre 25 e 50 µg/m³; ruins entre 50 e 75 µg/m³; muito ruins entre 75 e 125 µg/m³; e péssimas acima de 125 µg/m³.
Diante dos índices elevados, a recomendação é acompanhar os boletins de qualidade do ar e reduzir a exposição à fumaça, principalmente nos períodos de maior concentração de partículas.
Como denunciar queimadas
Em caso de incêndio ou emergência, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas pelo telefone 193. Denúncias de infrações ambientais também podem ser encaminhadas aos órgãos de fiscalização competentes.






