Caio Silva e Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Um incêndio de grandes proporções em uma área de descarte irregular de resíduos já dura mais de 20 horas e mantém uma extensa nuvem de fumaça sobre o Distrito Industrial 2, em Manaus. O fogo começou por volta das 15h30 de terça-feira, 6/10, e permanecia ativo na manhã desta quarta-feira, 7.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS esteve no local e acompanhou a atuação das equipes de combate. Segundo o Corpo de Bombeiros, o terreno particular, localizado na avenida Puraquequara, foi invadido e transformado em área de descarte irregular de resíduos.
A área foi isolada devido às condições do terreno e à grande quantidade de fumaça. Com a ação do vento, a fumaça se espalhou pela região. De acordo com os bombeiros, o tipo de material acumulado no local aumenta a preocupação durante o combate.

Fogo queima em profundidade
O incêndio mobiliza equipes do Corpo de Bombeiros, Policiamento Ambiental e Polícia Militar do Amazonas. O combate é dificultado porque as chamas permanecem em profundidade entre os resíduos.
Segundo o coronel Menezes, do Corpo de Bombeiros, o local não funciona como depósito de reciclagem, mas como um lixão. Para alcançar os focos, os materiais precisam ser revirados com máquinas.
“Isso aí é um lixão realmente. Nós vamos ficar aqui trabalhando e revirando, porque ele está queimando em profundidade. Quando a gente revira com o trator, o fogo vem forte. Precisa revirar, se não revirar, vamos ficar aqui uma semana ou mais”, relatou.
O comandante informou ainda que pretende comunicar o IPAAM e a SEMAS para que uma inspeção seja realizada no local.

Chamas se aproximam de empresa de produtos químicos
Durante o avanço do incêndio, as chamas chegaram próximo à Carboquímica da Amazônica, empresa localizada ao lado da área atingida.
Brigadistas da própria empresa auxiliaram o Corpo de Bombeiros para impedir que o fogo alcançasse as instalações. Caminhões-pipa e outros veículos de empresas próximas também foram utilizados no combate.
Na manhã desta quarta-feira, bombeiros permaneciam no local para monitorar e eliminar os focos ainda ativos. A causa do incêndio e a extensão total da área atingida ainda não haviam sido esclarecidas pelas autoridades.

Morador cobra fiscalização
Durante a madrugada, o morador Jota Brandão publicou um vídeo nas redes sociais criticando as queimadas na região e cobrando fiscalização ambiental.
Segundo ele, queimadas irregulares já teriam sido registradas anteriormente no local. “No mês passado, em dias consecutivos, havia pessoas que estavam fazendo queimadas irregulares. Esse lixão já havia sido denunciado. Mesmo assim, nada foi feito. Nem pelo governo municipal, nem estadual, nem federal”, afirmou.
O morador também relatou o forte cheiro provocado pela fumaça e cobrou providências para reduzir ocorrências semelhantes na região.
Fumaça altera qualidade do ar em Manaus
A fumaça ocorre em meio a registros de alteração na qualidade do ar em diferentes pontos de Manaus.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicavam, às 6h20, níveis entre moderado e ruim em parte das estações de monitoramento.
Das estações acompanhadas pelo sistema, 11 apresentavam classificação moderada e três estavam no nível ruim. Entre os pontos com registro de qualidade ruim estavam Morro da Liberdade, Compensa e Nossa Senhora das Graças.
Em Nossa Senhora das Graças, a concentração chegou a 74,3 µg/m³ de partículas finas (MP2,5).
Pela escala utilizada pelo SELVA, índices entre 0 e 25 µg/m³ são classificados como bons. A partir daí, a qualidade do ar passa por níveis moderado, ruim, muito ruim e péssimo.
As partículas finas podem permanecer suspensas no ar e ser transportadas pela fumaça, aumentando o desconforto e os riscos à saúde em períodos de concentração elevada.
Combate pode durar até 48 horas
Apesar da redução da intensidade das chamas, os focos permanecem ativos e queimando em profundidade. O comandante informou que o trabalho deve continuar e que a expectativa é controlar completamente o incêndio em até 24 horas, podendo chegar a 48 horas.
As equipes permanecem concentradas na eliminação dos focos e na prevenção de que o fogo avance para áreas e estruturas próximas.






