Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Moradores de diferentes bairros de Manaus usaram as redes sociais durante a noite e a madrugada desta quinta-feira, 1º/10, para publicar relatos sobre a fumaça provocada pelo incêndio de grandes proporções registrado em Cacau Pirêra, em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram ruas e bairros encobertos pela fumaça. Nos relatos, moradores afirmam sentir cheiro forte dentro de casa e dificuldade para respirar, além de cobrarem respostas e providências do poder público.
Fumaça toma conta dos bairros
Ao longo da noite, moradores de regiões como Aleixo, Alvorada, Compensa, Redenção, Planalto e Aparecida fizeram publicações sobre a situação. Em diferentes relatos, eles afirmaram que o cheiro de fumaça entrou nas residências mesmo com portas e janelas fechadas.
“Aqui no Aleixo tá forte também o cheiro. Abri a porta do quarto e parecia que o fogo tava perto”, relatou uma moradora nas redes sociais.

Moradores da Redenção, Santo Antônio e Planalto também publicaram relatos sobre a presença da fumaça durante a noite e a madrugada.
Moradora deixa passeio com bebê após fumaça
Entre as publicações, uma moradora relatou que estava com o bebê na região da Lagoa da Compensa quando, segundo ela, a fumaça aumentou repentinamente.
“Saí com meu bebê pra dar uma volta na lagoa da Compensa e de uma hora pra outra fomos engolidos por fumaça. Voltamos imediatamente pra casa, toalhas molhadas nas portas e casa toda fechada. Mesmo assim a fumaça entra”, relatou.
Outro morador também publicou um relato afirmando que o cheiro havia chegado ao Alvorada. As publicações feitas ao longo da noite e da madrugada mostram relatos de moradores de diferentes áreas da capital.
Moradores cobram governos
Além dos relatos sobre o desconforto causado pela fumaça, moradores e internautas fizeram cobranças aos governos estadual e municipal nas redes sociais. Parte das publicações questionou investimentos e medidas de prevenção às queimadas no Amazonas.
Em um comentário, um internauta marcou o candidato à reeleição ao governo Roberto Cidade e cobrou uma estrutura permanente do Corpo de Bombeiros na região de Iranduba.
“Tá na hora de montar uma base do Corpo de Bombeiros nessa área! Onde todos os fogos estão acontecendo só nessa área do Iranduba! Essa fumaça está insuportável aqui na avenida Brasil, Compensa”, escreveu.
Críticas nas redes sociais
Em vídeo publicado nas redes sociais, o jornalista Márcio Azevedo criticou a estrutura disponível para o combate aos incêndios e questionou a preparação do Governo do Amazonas para o período de queimadas.
“E cadê toda a preparação do governo do Estado? Era agora, nesse momento de crise, que a gente vê como o governante se sai. Por que não contratou emergencialmente aviões para jogar água?”, afirmou.
Também em uma publicação nas redes sociais, o morador do bairro Aparecida e professor Gabriel Mota relacionou o episódio às políticas públicas ambientais e afirmou que a situação deveria ser considerada pelos eleitores.
“A gente que mora nos bairros que ficam na orla da cidade somos sempre os primeiros a inalar essa fumaça. Um bairro como o meu, Aparecida, que é um bairro de pessoas idosas, um bairro histórico de pessoas idosas, essas pessoas agora inalando essa fumaça, mesmo com suas casas fechadas, é inaceitável”, declarou.
Qualidade do ar
Nesta quinta-feira, 1º, Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de fumaça em meio ao incêndio de grandes proporções que atinge uma área de vegetação entre os quilômetros 3 e 4 da rodovia AM-070, no distrito de Cacau Pirêra, em Iranduba.
Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (SELVA), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram diferentes concentrações de material particulado fino (MP2,5) nos pontos monitorados de Manaus.
Na região central, abrangendo áreas como Aparecida, Centro e São Raimundo, a concentração chegou a 61,4 µg/m³, índice classificado como ruim na escala utilizada pelo monitoramento.
Outros pontos apresentaram níveis moderados, como Distrito Industrial I/Vila Buriti, com 49,0 µg/m³; Morro da Liberdade/Educandos, com 45,8 µg/m³; Coroado/Armando Mendes, com 45,6 µg/m³; e Parque Dez/Chapada, com 44,8 µg/m³.
Também foram registrados 42,7 µg/m³ entre São Jorge e Compensa, 39,2 µg/m³ em Puraquequara, 38,3 µg/m³ entre Chapada e Adrianópolis e 37,3 µg/m³ entre Zumbi dos Palmares e Distrito Industrial II.






