Andreza Maria Cunha e Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Os embates do debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas continuaram repercutindo nos bastidores da TV A Crítica, na noite desta segunda-feira, 28/9. Após mais de duas horas de confronto, quatro dos cinco participantes conversaram com a imprensa, avaliaram o desempenho, responderam às críticas e comentaram os principais assuntos do encontro.
Participaram do debate David Almeida (Avante), Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União Brasil).
David Almeida avaliou que conseguiu apresentar ideias e soluções para problemas do Amazonas. No pós-debate, reforçou críticas às atuais e antigas administrações estaduais. Durante o confronto, David e Cidade protagonizaram alguns dos momentos de maior tensão, com acusações relacionadas à administração pública, saúde e corrupção.
“Um debate em que a gente pôde expor as nossas ideias e propostas e apresentar as soluções para os problemas do estado do Amazonas. Ficou muito claro quem tem ideias, quem tem propostas, quem tem entregas e quem tem resultados. O Amazonas não vai errar, porque nós já indicamos o caminho certo e seguro”, contou.

Isael Munduruku avaliou positivamente sua participação, mas criticou a falta de espaço para a crise climática. Segundo ele, temas como cheias e secas intensas, queimadas e fumaça deveriam ter sido mais discutidos.
O candidato afirmou que apresentou propostas para áreas como segurança, educação, logística e Zona Franca de Manaus, mas considerou que os problemas ambientais enfrentados principalmente pela população do interior poderiam ter recebido mais atenção.
“Eu avalio como muito positivo esse debate e acho que temos tudo para oferecer ao eleitor a possibilidade de fazer a melhor escolha. Acho que faltou a gente tratar um pouco mais da questão climática, né? Nós, principalmente para quem está no interior, temos rios que enchem de forma desordenada, secam de forma desordenada, além dos problemas das queimadas e da fumaça. Isso faltou ser debatido”, destacou.
Maria do Carmo afirmou que o formato permitiu maior contato com o eleitor e disse que seguirá buscando os indecisos nos últimos dias de campanha. A candidata também comentou o tom das críticas feitas durante o programa e rejeitou classificá-las como simples ataques.
Para Maria do Carmo, apontar problemas das administrações dos adversários faz parte do confronto eleitoral, desde que as afirmações sejam verdadeiras.
“Falar sobre os erros do adversário é importantíssimo. Como é que o eleitor vai saber que determinado problema foi causado por um governo ou por uma pessoa? Porque é isso que eu estava comentando ainda há pouco: esse é o papel da crítica. Você expõe uma situação porque, às vezes, o eleitor não está atento a um problema que enfrenta. Falar a verdade não é ataque”, disse.
A candidata afirmou ainda que já apresentou grande parte das propostas que pretende levar ao eleitorado e voltou a se colocar como uma alternativa de mudança. Questionada sobre o futuro político, disse que sua candidatura está vinculada a um projeto para o Amazonas e que, caso não seja eleita, pretende retornar às atividades empresariais.
Roberto Cidade, alvo de críticas dos adversários durante o programa, defendeu a atual administração e rebateu as tentativas de associá-lo a problemas de gestões anteriores. O governador afirmou que responde pelo próprio governo e destacou avanços, principalmente na área da saúde. Durante o debate, Cidade também procurou se distanciar da gestão de Wilson Lima.
Após o programa, Cidade afirmou que pretende intensificar a campanha na reta final e disse acreditar na chegada ao segundo turno. O candidato voltou a defender que as propostas apresentadas são viáveis e podem ser executadas nos próximos quatro anos.
“Temos propostas viáveis, propostas que nós vamos entregar nos próximos quatro anos. É por isso que nós vamos continuar firmes e é por isso que nós vamos fazer o segundo turno. Com muito trabalho, a população vai ver isso. É uma reta final que nós vamos intensificar cada vez mais, pedir mais um voto”, afirmou.
Omar deixa local sem falar com a imprensa
Omar Aziz não concedeu entrevista à imprensa após o debate. Na saída, houve uma movimentação após o candidato a vice-governador Serafim Corrêa sofrer uma queda. Durante a confusão, o senador deixou o local sem responder aos questionamentos.
A ausência da entrevista impediu que Omar fosse questionado, entre outros assuntos, sobre uma das principais acusações feitas durante o debate.

No primeiro bloco, o candidato acusou Roberto Cidade de interferência na fila de regulação da saúde para beneficiar determinados pacientes por razões eleitorais. Omar afirmou ter levado a denúncia ao Ministério Público e disse que também encaminharia o material à Polícia Federal e ao Ministério da Saúde.
Cidade contestou a acusação e afirmou que Omar havia desviado do tema da pergunta.
O episódio foi um dos confrontos que marcaram o debate. Saúde, educação, Zona Franca de Manaus, segurança e a atuação das administrações atual e anteriores dividiram espaço com acusações e respostas entre os candidatos, a poucos dias do primeiro turno.






