Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Victor de Souza Rocha foi condenado a 26 anos e seis meses de prisão pela morte de Kariny Sevalho Lima, de 19 anos, ocorrida em maio de 2022, no bairro Lago Azul, zona Norte de Manaus. Segundo a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MPAM), a vítima mantinha um relacionamento com o acusado e estava grávida dele.
Preso desde 2023, Victor foi julgado a partir da quinta-feira, 17/9, no Fórum Ministro Henoch Reis, em Manaus. Durante o julgamento, ele respondeu apenas às perguntas feitas pela defesa e pelos jurados e negou a autoria do crime.
No plenário, o promotor de Justiça pediu a condenação do réu pelos crimes de homicídio, aborto provocado por terceiro, ocultação de cadáver e injúria racial. A defesa alegou falta de provas sobre a autoria e contestou a ocorrência dos crimes, especialmente a acusação de injúria racial.
O Conselho de Sentença reconheceu as acusações de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de feminicídio, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver. Os jurados, porém, não reconheceram a acusação de injúria racial.
A juíza de Direito Danielle Monteiro Fernandes Augusto manteve a prisão de Victor e determinou a execução imediata da pena, sem direito de recorrer da sentença em liberdade.

Entenda o caso
Segundo a denúncia do MPAM, Kariny havia contado ao pai e à madrasta que estava grávida. Conforme os autos, os familiares se ofereceram para ajudar na criação da criança.
Na noite de 25 de maio de 2022, a jovem foi até a residência de Victor para conversar sobre a gravidez, que estava próxima de completar três meses. Ainda segundo a denúncia, após saber da gestação, o acusado teria pressionado Kariny a interromper a gravidez.
O MPAM também relatou que Victor teria dito a pessoas próximas que não queria ser pai de uma criança negra, em referência às características da vítima. Essa informação fazia parte da acusação de injúria racial, que não foi reconhecida pelo Conselho de Sentença.
Desaparecimento
Na época, a família começou a procurar Kariny depois que percebeu a demora para ela retornar para casa. Os familiares tentaram ligar para o celular da jovem, mas o aparelho estava desligado.
O irmão da vítima foi até a residência de Victor, que teria informado que Kariny havia deixado o local. Segundo a denúncia do MPAM, porém, testemunhas relataram ter visto o acusado saindo com a jovem em direção a uma área de mata próxima à residência.
Ainda conforme os autos, Victor teria retornado sozinho e demonstrado nervosismo. No dia seguinte, o corpo de Kariny foi encontrado na área de mata por uma equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).
Segundo a investigação, a vítima apresentava sinais de violência, com lesões no crânio, no rosto e nos membros superiores.






