Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O primeiro debate entre os candidatos ao Senado pelo Amazonas nas eleições de 2026 reuniu, nesta quinta-feira, 17/9, Capitão Alberto Neto (PL), Eduardo Braga (MDB), Ismael Munduruku (Rede), Plínio Valério (PSDB), Professora Evany (PSOL) e Wilson Lima (União Brasil).
O Eleições da Rios, da Rede Rios de Comunicação, acompanhou de perto o debate entre os candidatos ao Senado que discutiu temas como saúde, educação, infraestrutura, economia, segurança pública e desenvolvimento do Amazonas. O debate foi promovido pela TV Norte Amazonas.
A organização confirmou a participação dos seis candidatos no debate, que foi dividido em cinco blocos. Nos quatro primeiros, os candidatos discutiram temas previamente definidos e tiveram momentos de perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. O último bloco foi reservado às considerações finais.
Saúde e educação
A saúde pública esteve entre os temas que mais provocaram críticas e confrontos durante o debate. Alberto Neto e Wilson Lima discutiram sobre o Sistema de Regulação (Sisreg), utilizado para organizar o acesso de pacientes a consultas, exames e procedimentos na rede pública.
Em um dos momentos, Alberto Neto classificou a fila do Sisreg como “fila da morte” ao abordar a situação de pacientes que aguardam atendimento especializado.
Eduardo Braga também criticou a estrutura da saúde estadual e questionou Wilson Lima sobre investimentos e obras realizadas durante o período em que esteve à frente do Governo do Amazonas. O confronto envolveu ainda a aplicação de recursos destinados por meio de emendas parlamentares para unidades de saúde.
A candidata Professora Evany abordou as dificuldades enfrentadas por usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e afirmou conhecer a realidade da saúde pública tanto em Manaus quanto no interior.
Ismael Munduruku também apresentou críticas ao atendimento de saúde no estado e defendeu melhorias para as populações indígenas, ribeirinhas e do interior.
A educação foi outro tema de destaque. Alberto Neto questionou Wilson Lima sobre o desempenho do Amazonas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), citando o resultado do estado em levantamento nacional.
Wilson Lima atribuiu parte do resultado ao período em que as avaliações foram realizadas e à estiagem enfrentada pelo estado.
A conectividade das escolas do interior também foi discutida. Alberto Neto afirmou que parte das unidades ainda enfrenta dificuldades de acesso à internet e defendeu a ampliação da conectividade como forma de melhorar o ensino.
BR-319 e infraestrutura
A infraestrutura também esteve entre os principais assuntos do debate. Eduardo Braga e Wilson Lima trocaram críticas sobre a BR-319, especialmente em relação às condições da rodovia e às pontes sobre os rios Curuçá e Autaz Mirim, que desabaram em 2022.
Braga questionou a atuação de Wilson Lima quando ele estava à frente do Governo do Amazonas. O ex-governador, por sua vez, afirmou que o senador promete a recuperação da rodovia há décadas.
A BR-319 foi apresentada pelos candidatos como uma questão estratégica para a ligação do Amazonas com o restante do país e para o transporte de pessoas e mercadorias.
Zona Franca e desenvolvimento econômico
A Zona Franca de Manaus apareceu em diferentes momentos do debate, principalmente nas discussões sobre desenvolvimento econômico e defesa dos interesses do Amazonas em Brasília.
Alberto Neto relacionou o tema à necessidade de atualização das estruturas de planejamento urbano de Manaus e afirmou que a falta de um novo Plano Diretor prejudica a expansão do Polo Industrial.
O candidato também apresentou propostas relacionadas à produção de fertilizantes, exploração de terras raras, tecnologia e inovação. Segundo ele, o Amazonas precisa ampliar atividades capazes de agregar valor aos recursos naturais produzidos no estado.
Segurança e fronteiras
A segurança pública também foi discutida pelos candidatos. Alberto Neto defendeu o fortalecimento das fronteiras do Amazonas como estratégia de combate à atuação de organizações criminosas.
O candidato relacionou a proposta à necessidade de ampliar a presença do poder público em áreas afastadas dos grandes centros urbanos.
A segurança nas fronteiras esteve entre os temas apresentados pelos candidatos como prioridade para uma eventual atuação no Senado.
STF, Banco Master e impeachment
Um dos momentos de confronto ocorreu entre Plínio Valério e Wilson Lima. Plínio questionou Wilson sobre sua posição em relação a um eventual processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio às discussões relacionadas ao Banco Master.
Wilson Lima não respondeu diretamente à pergunta, segundo avaliação feita por Plínio durante o próprio debate, e direcionou a resposta para outros episódios envolvendo autoridades e processos políticos.
O tema levou para o debate uma discussão de alcance nacional sobre o funcionamento das instituições, a atuação do Supremo Tribunal Federal e o papel dos senadores em processos de responsabilidade.
Respiradores e pandemia
A pandemia de Covid-19 também foi lembrada durante o encontro. Plínio Valério citou a compra de respiradores pelo Governo do Amazonas durante a gestão de Wilson Lima e relacionou o episódio ao processo que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A discussão retomou um dos principais episódios políticos e administrativos relacionados à pandemia no Amazonas e foi utilizada por Plínio para fazer críticas à atuação de Wilson Lima quando governador.
Renato Júnior e defesa da Zona Franca
Plínio Valério e Alberto Neto também trocaram provocações envolvendo o prefeito de Manaus, Renato Júnior.
Plínio questionou Alberto Neto sobre seu projeto político e mencionou a relação do deputado com a disputa eleitoral. Na resposta, Alberto afirmou que Plínio deveria cobrar Renato Júnior sobre a defesa dos incentivos fiscais e dos interesses da Zona Franca de Manaus.
O confronto levou a discussão para as alianças políticas locais e para a atuação de lideranças de Manaus na defesa do modelo econômico do Amazonas.
Povos indígenas, interior e conectividade
Ismael Munduruku destacou a participação dos povos indígenas na política e colocou demandas de comunidades indígenas, ribeirinhas e do interior entre as pautas de sua candidatura.
O candidato defendeu a presença de representantes indígenas nos espaços de decisão e afirmou que essas populações devem participar das discussões sobre desenvolvimento, infraestrutura e políticas públicas.
A conectividade também apareceu associada às áreas de educação, saúde e desenvolvimento econômico, principalmente em municípios do interior e comunidades distantes dos centros urbanos.
Debate reuniu seis candidatos
O encontro foi o primeiro debate da programação eleitoral do projeto NC Eleições 2026. Participaram Eduardo Braga, Plínio Valério, Wilson Lima, Capitão Alberto Neto, Ismael Munduruku e Professora Evany.
A dinâmica foi dividida em cinco blocos. Os quatro primeiros tiveram temas previamente definidos, enquanto o último foi destinado às considerações finais. Cada candidato teve tempo para fazer perguntas, responder, apresentar réplicas e tréplicas.
Entre os principais assuntos discutidos estiveram saúde pública, educação, infraestrutura, BR-319, Zona Franca de Manaus, segurança pública, fronteiras, conectividade, desenvolvimento econômico, exploração de recursos naturais, tecnologia, povos indígenas e demandas das populações do interior.






