Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A política cultural do Amazonas entrou no centro dos debates durante o Seminário Regional Norte do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), realizado entre os dias 2 e 4 de setembro, no Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Campus Manaus, no Centro da capital. O encontro reuniu artistas, produtores, pesquisadores, agentes culturais e representantes dos comitês de cultura de diferentes estados da região Norte para discutir os desafios da gestão cultural na Amazônia.
Entre os assuntos debatidos estiveram a participação social, a gestão pública, a formação, a inovação, os territórios e a circulação da cadeia produtiva das artes na região. O evento também abriu espaço para troca de experiências entre coletivos, produtores e instituições que atuam na construção de políticas públicas para o setor.
A Setorial Cultura Rock, movimento que reúne coletivos e iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura do rock, e o Coletivo Canoa Cultural participaram das atividades, apresentando experiências e discutindo ações de integração da cadeia cultural amazônica.
“Foi significativo rever grandes amigos da época da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) que atua na área cultural por meio de programas que integram a educação e a cultura na rede pública estadual de São Paulo, como o projeto ‘Cultura é Currículo’, dos movimentos do Rock Underground e dos festivais”, destacou o músico amazonense Sandro Nine.
Segundo o músico, a participação no seminário também contribui para a retomada de conexões entre artistas e coletivos da região e para o fortalecimento do circuito cultural amazônico. “O evento é importante para fortalecer o Circuito Amazônico de Música & Artes Integradas se reconectando e fomentando a cultura na região.”

Ausência do comitê do AM
Apesar do caráter regional do encontro, a ausência do Comitê de Cultura do Amazonas chamou a atenção de participantes e representantes de outros estados. Segundo os relatos apresentados durante o seminário, o comitê estaria suspenso por determinação do Ministério da Cultura (MinC), após a abertura de apuração sobre supostas irregularidades.
A situação acabou sendo relacionada a outro tema sensível da política cultural de Manaus: a eleição do Conselho Municipal de Cultura (ConCultura).
Participantes relataram questionamentos sobre o processo eleitoral, incluindo dificuldades no cadastramento de eleitores e candidatos, nomes que, segundo eles, estariam aptos a votar, mas não teriam aparecido na lista de votação, além de dúvidas sobre determinadas inscrições e eventual influência política no pleito.
As alegações foram apresentadas como questionamentos e, até o momento, não representam conclusão sobre a existência de irregularidades.
“Chamou a atenção das delegações de outros estados, foi a ausência do Comitê de Cultura do Amazonas, suspenso por determinação do próprio MinC após a abertura de apuração sobre supostas irregularidades. Somando-se a isso, artistas relataram questionamentos sobre o processo eleitoral do Conselho de Cultura de Manaus, alegando possíveis irregularidades e favorecimentos. O ConCultura tem a obrigação de apurar essas denúncias e emitir uma nota esclarecendo esses ‘possíveis’ absurdos”, destacou Nine.
O que é o concultura?
O ConCultura é o Conselho Municipal de Cultura de Manaus, responsável por promover a participação da sociedade e acompanhar as políticas culturais do município, funcionando como ponte entre o poder público e o setor cultural.
Durante o seminário, artistas e coletivos também cobraram mais transparência e participação na política cultural do Amazonas, especialmente diante da suspensão do Comitê de Cultura do Estado e dos questionamentos sobre a eleição do ConCultura.
O Rios de Notícias solicitou posicionamento da Prefeitura de Manaus e do Conselho Municipal de Cultura (ConCultura) sobre os questionamentos apresentados por artistas e agentes culturais a respeito do processo eleitoral do ConCultura.






