Andreza Maria Cunha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – “É querer fazer a gente de leso”. Foi assim que o deputado estadual Rozenha (PSD) reagiu, na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), à destinação de R$ 6 milhões para projetos ligados ao tênis no Estado. Presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ele questionou a prioridade dada à modalidade e deu a entender que o futebol amazonense ficou sem o apoio esperado do Governo do Estado.
Rozenha concentrou parte do discurso na diferença de alcance que, segundo ele, existe entre as duas modalidades, principalmente nos municípios do interior. O parlamentar citou cidades amazonenses ao questionar quantas pessoas seriam diretamente alcançadas pelo investimento no tênis.
“Quem é que joga tênis em Amaturá? Quem é que joga tênis em Anamã? Vai fazer a Copa da Floresta de tênis no interior? Vamos fazer campeonato Sub-8 de tênis? Por favor”, declarou.
Parte do investimento citado pelo deputado consta no Diário Oficial do Estado. Em abril deste ano, a Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel) publicou a Portaria nº 059/2026, que declarou inexigível a licitação e destinou R$ 1 milhão à Federação Amazonense de Tênis (FAT) para o projeto “Amazônia em Quadra – Tênis e Sustentabilidade”. O processo registrado é o nº 01.01.042101.000276/2026-08.
Os outros R$ 5 milhões foram formalizados pela Sedel em agosto. O Extrato nº 045/2026/SEDEL registra que, em 28 de agosto, a secretaria assinou o Termo de Contrato de Patrocínio Desportivo nº 04/2026/SEDEL com a Federação Amazonense de Tênis. O recurso também é destinado à execução do projeto “Amazônia em Quadra: Tênis e Sustentabilidade”.
O contrato tem valor global de R$ 5 milhões e vigência de 12 meses, até 28 de agosto de 2027. O documento cita o Processo Administrativo SIGED nº 01.01.042101.000152/2026-14. Somados ao R$ 1 milhão autorizado em março, os dois atos chegam aos R$ 6 milhões mencionados por Rozenha durante o pronunciamento.


“Esporte de rico”
Na tribuna, o deputado classificou o tênis como um “esporte de elite” e um “esporte de rico”. Para Rozenha, o investimento deveria levar em consideração modalidades com maior presença entre crianças, jovens e moradores do interior do Amazonas.
“Destinar seis milhões de reais à Federação de Tênis, um esporte de elite, um esporte de rico, aí é brincar com os desportistas amazonenses. É querer fazer de leso o povo do Amazonas”, afirmou.
Rozenha também recorreu a exemplos do cotidiano para reforçar a crítica.
“É tênis, aquele esporte de rico, que joga nos condomínios. Dá seis milhões para playboyzinho jogar tênis. É brincadeira. Tênis não muda a vida de alguém no interior”, declarou.
Rozenha diz que acordo para futebol não foi cumprido
Durante o pronunciamento, Rozenha também afirmou que Roberto Cidade teria se comprometido a manter o apoio dado pelo Estado ao futebol amazonense nos últimos anos. Segundo o deputado, o compromisso ocorreu quando Cidade, então presidente da Aleam, assumiu interinamente o Governo do Amazonas.
“O então presidente desta Casa e, à época, governador interino Roberto Cidade sentou comigo, garantiu o apoio, que já era de praxe todos os anos ao futebol amazonense. Mais uma vez não cumpriu a sua palavra”, declarou.
O parlamentar afirmou que, diante da falta do apoio esperado, a Federação Amazonense de Futebol precisou assumir despesas para manter competições, inclusive no interior.
“Calei a boca, comprei var do meu bolso, fiz campeonato do meu bolso, fiz a Copa da Floresta do meu bolso, da Federação. Porque quem não aguenta com o pote não segura no peixe”, disse.
Críticas chegam ao campo político
Rozenha também relacionou a situação à política estadual e afirmou que o fato de não apoiar o atual governo não deveria atingir atletas e moradores do interior por causa de seu posicionamento.
“Punam a mim, venham para cima de mim, mas não para cima de quem mais precisa da mão amiga do Estado”, afirmou.
Em outro momento, o deputado voltou a questionar a escolha de destinar os recursos ao tênis e usou novamente um tom mais duro.
“Dar seis milhões para gente usando Lacoste e tênis da Nike pra jogar tênis, por cima de mim, aí não dá”, declarou.
Rozenha também afirmou que o cumprimento da palavra dada deve ser considerado por quem ocupa cargos públicos e disputa a confiança do eleitor.
“Porque se ele falta com a verdade com um deputado, imagina com o eleitor, com o povo”, disse.
Ao final do pronunciamento, o parlamentar direcionou novamente as críticas a Roberto Cidade.
“Homens honrados, para ocuparem cargos grandes na política, têm que ter palavra”, declarou o deputado.






