Paulo Vitor Castro – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A defesa da formação superior como requisito para o exercício profissional do Jornalismo ganhou força nesta quarta-feira, 26/8, com a mobilização nacional “Dia D pelo Diploma”, organizada pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ). A iniciativa busca chamar a atenção para a valorização da categoria e para a retomada da exigência de graduação específica para o exercício da profissão.
A mobilização ocorre 17 anos após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que retirou a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Desde então, entidades representativas da categoria defendem a retomada da exigência por meio de mudanças na legislação e da rediscussão do tema no Supremo.
O movimento também ocorre enquanto a PEC 206/2012, que prevê o retorno da obrigatoriedade do diploma, aguarda votação no plenário da Câmara dos Deputados após ter sido aprovada pelo Senado.
Em participação no programa Rios do Conhecimento, da Rádio Rios FM 95,7, as professoras Leila Ronize, coordenadora do curso de Jornalismo do Centro Universitário Fametro, e Grace Soares, coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ao lado do diretor de Jornalismo do Portal Rios de Notícias e apresentador do programa, Rômulo Araújo, discutiram a importância da formação acadêmica para o exercício da profissão.
Formação e ética
Para Leila Ronize, independentemente das posições favoráveis ou contrárias à exigência da graduação, existe uma preocupação comum com a qualidade e a ética do Jornalismo.
“Esse debate sobre a importância do diploma é antigo, mas, independentemente de quem é a favor ou de quem é contra, uma coisa todos têm em comum: todos querem um jornalismo comprometido, um jornalismo ético, e só quem vai formar esse ser ético e comprometido é a academia”, afirmou.

A professora também destacou as transformações na forma como a sociedade consome informação, especialmente diante do crescimento da atuação de influenciadores digitais. Para ela, jornalistas também exercem influência sobre o público, mas o exercício profissional exige conhecimentos e métodos específicos.
“Hoje, vivemos em uma sociedade em que os influencers estão ganhando destaque. Costumo dizer que todo jornalista é um influencer, porque somos formadores de opinião, mas nem todo influencer é jornalista, porque apurar uma informação não é fácil. Uma coisa é ligar o microfone e pegar informações; outra é ir atrás delas, checá-las e confirmá-las várias vezes. E isso só aprendemos com a formação, praticando, errando e sendo corrigidos”, afirmou.
Estudo e vivência
Grace Soares explicou que o ambiente universitário permite ao estudante experimentar, errar e corrigir práticas antes de assumir integralmente as responsabilidades do mercado de trabalho.
“No ambiente universitário, você tem a oportunidade de experimentar entre erros e acertos e aprender sobre uma prática profissional extremamente complexa. Ela não lida só com gravações e produções de conteúdos audiovisuais, mas também com psicologia, sociologia, antropologia e tantas outras áreas que nos ajudam a compreender a dinâmica do ser humano”, disse.

Ao destacar a responsabilidade envolvida na produção de notícias, a professora ressaltou que um erro jornalístico pode ultrapassar os limites da informação e provocar impactos na vida das pessoas.
“Esse é um valor importantíssimo do Jornalismo, que nos difere de qualquer outro profissional, que é a dimensão do impacto que o meu conteúdo vai gerar nas famílias. Uma informação errada pode gerar um prejuízo. O compromisso com a ética e a prática de uma profissão que tem alicerçada a responsabilidade social nos alertam o tempo todo para que a gente não cometa erros”, completou.
Confiança da sociedade
Rômulo Araújo relembrou a própria trajetória durante o período em que ocorreu a decisão do STF que retirou a obrigatoriedade do diploma, em 2009.

“Quando eu estava como estudante de Jornalismo, foi quando aconteceu todo esse movimento. Então, me formei. Isso aí não me desanimou a obter o diploma. Fui atuar no mercado, virei professor e continuei a incentivar outros alunos para que obtivessem o diploma para o exercício dessa profissão”, relatou.
Para ele, a formação também está diretamente relacionada à qualidade e à segurança das informações consumidas pela sociedade.
“É uma profissão que é fundamental para que as pessoas saibam que a informação que elas estão consumindo é uma informação verificada, é uma informação checada, que passou pelo crivo de alguém, e não alguma coisa que foi jogada em um grupo ali ou em uma rede social”, afirmou.






