Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O atraso no pagamento de médicos da rede estadual de saúde do Amazonas voltou a gerar cobranças nesta segunda-feira, 24/8. A denúncia foi divulgada pelo médico Francisco Cardoso, conselheiro federal de Medicina (CFM) pelo Estado de São Paulo.
Segundo Cardoso, a situação foi relatada pelo médico Ademar Carlos Augusto, conselheiro federal de Medicina titular pelo Amazonas, durante uma reunião do Conselho.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Francisco afirmou que o Governo do Amazonas teria regularizado parte dos pagamentos, mas ainda manteria valores pendentes com médicos que atuam na rede de saúde.
“Governador do Amazonas, você pagou os médicos, mas não pagou tudo. Estou aqui com o conselheiro Ademar, que é o Conselheiro Federal de Medicina pelo Estado do Amazonas, que foi quem nos alertou, em plenária, da situação caótica e crítica do calote aos médicos naquele estado”, afirmou.
De acordo com o conselheiro, após a primeira denúncia, parte dos pagamentos foi regularizada. No entanto, ainda haveria valores em aberto.
“Graças ao conselheiro Ademar, nós fizemos aquele vídeo que teve ampla repercussão e parece que pagou, mas está faltando dinheiro ainda”, acrescentou.
Segundo Francisco Cardoso, Ademar informou que permanecem pendências referentes aos meses de junho e julho deste ano, além de valores de parte de 2024 e de 2025.
“Nós estamos de olho e não vamos parar de denunciar até o senhor pagar tudo, todos os meses. A gente não aceita mais calote médico no Amazonas e no Brasil inteiro. Onde tiver problema, nós vamos atrás”, declarou Cardoso.
Durante a manifestação, o conselheiro também cobrou diretamente a regularização dos pagamentos.
“Governador, o senhor continua caloteiro. Faça o certo. Os médicos trabalham e defendem a saúde do Amazonas e o senhor não paga os médicos. Ninguém vive sem receber. Pague os médicos do Amazonas, governador”, afirmou.
Crise nos pagamentos
A nova cobrança ocorre em meio a uma sequência de denúncias sobre atrasos nos pagamentos de médicos que atuam na rede pública de saúde do Amazonas. Nas últimas semanas, entidades como o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), o Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Federação Médica Brasileira (FMB) já haviam cobrado do Governo do Amazonas a regularização dos valores em atraso e melhores condições de trabalho para os profissionais.
Em julho, as entidades denunciaram que médicos chegaram a enfrentar atrasos de pagamentos que poderiam chegar a oito meses. Diante da repercussão, o Governo do Amazonas anunciou a destinação de R$ 84 milhões para o pagamento de honorários médicos.
Apesar do anúncio, a situação voltou a ser questionada. No início de agosto, documentos registraram o repasse de R$ 66,9 milhões para organizações sociais responsáveis pela gestão de unidades de saúde do Estado. Os valores foram destinados à Agir, responsável pelo Complexo Zona Sul, e ao Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), que administra o Complexo Zona Norte e o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) Platão Araújo.
Na ocasião, o pagamento às organizações sociais, por si só, não permitia afirmar que os honorários médicos haviam sido integralmente quitados. A principal questão levantada era quanto dos recursos anunciados pelo Governo efetivamente havia chegado aos profissionais e se ainda existiam débitos referentes a períodos anteriores.
Agora, segundo o conselheiro federal Francisco Cardoso, os pagamentos teriam sido parcialmente regularizados, mas ainda haveria pendências referentes aos meses de junho e julho de 2026, além de valores de parte de 2024 e 2025.
Governo é questionado
O Rios de Notícias solicitou esclarecimentos ao Governo do Amazonas sobre os pagamentos mencionados na denúncia, quais valores permanecem pendentes e a previsão para a regularização dos débitos.
Até a publicação desta matéria, não houve resposta.






