Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A realização do “Sou Manaus – Passo a Paço 2026” voltou a gerar críticas nas redes sociais. Após anúncio da programação do evento nesta segunda-feira, 24/8, moradores questionaram a prioridade dada ao festival diante de problemas relatados em ruas, unidades de saúde, escolas, transporte público e outras áreas da cidade.
A Prefeitura de Manaus destaca que a edição deste ano foi ampliada para dez dias e reúne mais de 150 artistas. Nas redes sociais, porém, parte dos moradores cobrou que investimentos também sejam direcionados à melhoria dos serviços públicos e da infraestrutura da capital.
“Para a festa sempre arrumam, dão um jeitinho. A eleição está chegando”, escreveu um internauta.



Buracos e bueiros sem tampa
A situação das vias foi um dos principais pontos mais mencionados, onde um dos moradores afirma que as ruas da cidade de Manaus Entre as principais reclamações estão as condições das ruas de Manaus.
Moradores relataram a existência de buracos e crateras em diferentes pontos da cidade e cobraram ações da Prefeitura. “E as ruas é só cratera, vergonhosamente”, comentou um usuário.
Também foram publicados relatos sobre bueiros sem tampa. Um morador do bairro Alfredo Nascimento afirmou que aguarda uma intervenção do município.
“Estamos aguardando as tampas dos bueiros aqui no Alfredo Nascimento. Eles disseram que não tem material pra fazer”, escreveu.
No Núcleo 21, outro internauta relatou a existência de bueiros abertos após o furto das tampas. Segundo o relato, animais e motociclistas já teriam caído nos locais.
“Para isso não falta dinheiro, as ruas, a maior parte é cheia de buracos e outras coisas mais”, afirmou.
Saúde, educação e transporte entram nas críticas
As manifestações também envolveram áreas como saúde, educação e transporte público. “Não tem dinheiro pra saúde, educação e infraestrutura”, escreveu um morador.
Outro internauta criticou o transporte coletivo e afirmou que parte da frota estaria em condições precárias. “Tem dinheiro para tudo, menos para educação, saúde e para os transportes. A maioria dos ônibus é uma sucata”, comentou.
Os comentários também questionaram a realização do festival diante dos problemas enfrentados em diferentes bairros.
Parte dos moradores, no entanto, defendeu a realização do evento, mas cobrou maior valorização da cultura local e investimentos simultâneos em áreas consideradas prioritárias.
“O mais óbvio seria postergar esse evento ou os problemas que a cidade enfrenta? Devemos explorar sempre a nossa cultura como o boi, os artistas locais e etc. É mais em conta e poderia conciliar os dois, o evento e o problema”, afirmou outro internauta.
Questionamentos sobre edição anterior
As críticas à realização do festival também retomaram questionamentos envolvendo a edição de 2025.
Em outubro daquele ano, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) deu prazo de cinco dias para que a Prefeitura de Manaus e a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) apresentassem informações detalhadas sobre os gastos do Sou Manaus – Passo a Paço 2025.
A apuração teve origem em uma denúncia apresentada pelo vereador Coronel Rosses (PL), que questionou contratações de artistas e a transparência na aplicação dos recursos públicos utilizados no evento.
Na época, o parlamentar também questionou o pagamento do cachê da cantora Ludmilla e alegou que a apresentação teria conteúdo de conotação sexual, o que, segundo ele, poderia contrariar legislação municipal.
A denúncia apontou ainda que o orçamento do festival teria passado de cerca de R$ 2 milhões, em 2022, para mais de R$ 25 milhões em 2025, representando aumento superior a 1.100%, conforme os dados apresentados pelo vereador.
Também foram levantados questionamentos sobre a disponibilização de contratos, notas fiscais e valores pagos aos artistas nos portais de transparência.
Prefeitura é procurada
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS procurou a Prefeitura para solicitar informações sobre os investimentos previstos para o festival e os questionamentos feitos pelos moradores em relação à infraestrutura e aos serviços públicos.
Até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.






