MANAUS (AM) – Antes de uma fotografia chegar ao público, existe um olhar por trás da câmera. Escolher o momento, o enquadramento e aquilo que merece ser registrado faz parte de um trabalho que, para os fotógrafos, vai muito além de apertar o botão. A imagem pode informar, emocionar, preservar uma memória ou contar uma história que talvez não pudesse ser traduzida da mesma forma em palavras.
É dessa perspectiva que os fotógrafos do Portal Rios de Notícias, Luiz André Nascimento e Tunico Santos, enxergam o ofício que exercem diariamente. Nesta quarta-feira, 19 de agosto, é comemorado o Dia Mundial da Fotografia, e em diferentes experiências, os dois encontraram na fotografia uma forma de expressão e, no caso do fotojornalismo, também uma responsabilidade diante da informação que chega ao público.
Uma forma de expressão
Para Luiz André Nascimento, a relação com a fotografia começou ainda na infância, a partir do interesse por imagens e desenhos. Com o passar do tempo, a câmera se tornou uma ferramenta para transformar ideias e percepções em registros.
“A fotografia tem uma grande importância na minha vida. Eu sempre tive uma afeição pela imagem, pelo desenho, e a fotografia veio me atingir nesse lugar, que eu poderia estar criando imagens, imaginando coisas e fazendo uma representação da realidade, enfim, a partir da câmera fotográfica. Ela sempre foi um instrumento para eu poder me expressar de alguma maneira”, afirmou.
Fotógrafo Luiz André Nascimento (Foto: Rômulo Araújo/Rios de Notícias)
Além da transformação do próprio olhar, Luiz destaca as mudanças tecnológicas que tornaram a fotografia mais acessível. Hoje, segundo ele, não é necessário ter um equipamento profissional para começar a desenvolver a técnica.
“Eu entendo que hoje em dia ela está cada vez mais democrática, porque você não precisa ter uma câmera que às vezes custa muito caro, você pode fotografar com o próprio celular, aplicando os fundamentos da tríade de exposição”, explicou.
Para o fotógrafo, essa democratização pode contribuir para que novos talentos sejam descobertos e para diminuir as barreiras econômicas que antes dificultavam o acesso à atividade.
“Eu acho que isso pode revelar alguns talentos, algumas pessoas que têm essa distância imposta por relações econômicas. Eu acho que essas distâncias podem ficar um pouco mais estreitas, um pouco mais curtas. Acho que a fotografia tem uma parte importante para a comunicação, para o mundo das artes e que venham mais anos de vida para a fotografia”, completou.
(Foto: Luiz André Nascimento)
Quando a imagem também informa
No fotojornalismo, a fotografia ganha uma função diferente. Para Tunico Santos, registrar um acontecimento significa também assumir a responsabilidade de apresentar ao público uma imagem que esteja de acordo com aquilo que realmente aconteceu.
“A importância da fotografia para mim, além de ser o amor que eu escolhi para a minha profissão, ela precisa ser informativa, ela precisa entregar para a população o que ela precisa ler naquele texto”, afirmou.
Segundo ele, esse cuidado também envolve a legenda que acompanha cada registro.
Fotógrafo Tunico Santos – (Foto: Rômulo Araújo/Rios de Notícias)
“Ela precisa ser informativa, ela precisa ser condizente com o texto, condizente com a verdade, condizente com cada situação e cada momento vivido pelos personagens e por mim também, que acabo vendo a vida acontecendo sobre os meus olhares e sobre o que eu acho que vai informar a população e o que é melhor para a sociedade”, disse.
Uma atividade que acompanha a tecnologia
Ao longo dos anos, a fotografia passou por diferentes transformações. Das primeiras técnicas, que exigiam equipamentos e processos específicos, às câmeras digitais e aos celulares, fotografar se tornou uma atividade cada vez mais presente no cotidiano.
A evolução também veio acompanhada do crescimento do vídeo e de questionamentos sobre o futuro da fotografia. Para Tunico, porém, a chegada de novas tecnologias não significa o fim do registro fotográfico.
“Historicamente, nós passamos por diversos momentos, onde pelo menos eu, como fotógrafo, uns cinco, sete anos atrás, ouvia que a fotografia poderia se tornar obsoleta, mas eu acho quase impossível isso, porque a fotografia vem formando, vem cada vez mais tomando espaços que já eram existentes”, avaliou.
Para ele, a fotografia informativa continua tendo um papel importante na comunicação.
“Hoje, a importância, fazendo uma analogia para o que nós vivemos, é importantíssimo você ter a fotografia informativa. É lógico, existem vários tipos de fotografia”, completou.
(Foto: Tunico Santos)
200 anos de história
A fotografia permanente mais antiga conhecida é a “View from the Window at Le Gras”, produzida pelo francês Nicéphore Niépce entre 1826 e 1827. O registro mostra a vista da janela da casa de Niépce, na França.
Quase duas décadas depois, em 19 de agosto de 1839, o governo francês apresentou oficialmente ao mundo o daguerreótipo, processo desenvolvido por Louis Daguerre e considerado um dos primeiros métodos fotográficos viáveis. Por isso, a data passou a ser associada ao Dia Mundial da Fotografia.
Ao longo de aproximadamente 200 anos, a fotografia mudou de equipamentos, técnicas e formatos, mas manteve uma de suas principais características: transformar momentos em registros capazes de atravessar o tempo.
Seja como arte, memória, comunicação ou informação, a fotografia continua encontrando espaço em uma sociedade cada vez mais cercada por imagens.