Redação Rios
MANAUS (AM) – Um relatório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontou que quase metade da população das Américas convive com pelo menos uma doença neurológica. No continente americano, 470 milhões de pessoas são afetadas. Demências como Alzheimer são os distúrbios que mais atingem os idosos.
Já entre os adolescentes e jovens adultos, a enxaqueca surgiu como uma das principais causas de incapacidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 30 milhões de brasileiros. Além disso, outros 27 milhões convivem com a condição sem diagnóstico, de acordo com um levantamento realizado com o apoio da Abraces (Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca). Entre as pessoas diagnosticadas, as mulheres representam aproximadamente 75% dos casos.
De acordo com a neurologista Thais Villa, especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca e fundadora do Headache Center Brasil, clínica pioneira no cuidado integrado da doença, que acaba de completar 10 anos de atuação, as mulheres são as mais impactadas pela condição. Elas tendem a apresentar crises de dor de cabeça e outros sintomas associados mais intensos, frequentes e duradouros, o que também faz com que procurem com mais frequência atendimento médico especializado.

Essa vulnerabilidade está relacionada, principalmente, às oscilações hormonais. O estrogênio, hormônio presente em maior concentração no organismo feminino, exerce influência direta sobre os mecanismos cerebrais envolvidos na percepção e modulação da dor. Por isso, variações nos níveis desse hormônio como as que ocorrem ao longo do ciclo menstrual, podem atuar como gatilhos ou intensificar as crises de enxaqueca em algumas mulheres.
“A enxaqueca é caracterizada por um estado de hiperexcitabilidade cerebral. Durante as crises, o cérebro reage de forma exacerbada a estímulos internos e externos, o que desencadeia dor e uma série de sintomas associados. A causa é hereditária, ou seja, a pessoa já nasce com predisposição para a doença. Fatores ambientais e hormonais atuam como gatilhos ao longo da vida”, explica Thais Villa.
Risco aumentado para AVC
Entre as mulheres, as crises tendem a ser mais intensas e incapacitantes, sobretudo da adolescência até por volta dos 50 anos, período marcado por intensa atividade hormonal. Essa faixa etária coincide com a fase reprodutiva, quando muitas mulheres recorrem à pílula anticoncepcional como método contraceptivo.
A maioria utiliza formulações combinadas, que associam estrogênio e progesterona. Segundo Thais Villa, estudos recentes indicam que essa combinação pode representar “uma bomba”, aumentando em até 15 vezes o risco de AVC.
“O cenário torna-se ainda mais preocupante quando há a combinação dos fatores enxaqueca com aura (caracterizada por alterações visuais), uso de anticoncepcional com hormônios combinados e tabagismo. Nesses casos, o risco de acidente vascular cerebral pode ser até 30 vezes maior”, alerta a neurologista.
Se os números impressionam, a boa notícia para quem convive com a enxaqueca é que as crises podem ser controladas e as dores de cabeça, um dos principais sintomas da doença, significativamente reduzidas. Além da dor, a enxaqueca pode provocar uma série de outros sintomas que impactam a qualidade de vida.
Tratamento multidisciplinar
O Tratamento 360º é a abordagem indicada para lidar com a complexidade da enxaqueca, o cuidado é conduzido por uma equipe multidisciplinar que considera as diferentes variáveis envolvidas na condição. Neurologista, Psicólogo, Nutricionista e outros profissionais podem atuar de forma integrada, avaliando aspectos hormonais, emocionais, alimentares e comportamentais que podem influenciar as crises. Com acompanhamento adequado e estratégias individualizadas, é possível reduzir o impacto da doença, melhorar a qualidade de vida e devolver a autonomia.
“Existe tratamento eficaz para a enxaqueca e ele precisa considerar o paciente em sua individualidade. Isso significa associar terapias de última geração a estratégias não medicamentosas, capazes de prevenir as crises e reduzir sua frequência e intensidade. O cuidado deve ser personalizado, contínuo e adaptado às necessidades de cada pessoa”, explica Thais Villa.
A especialista destaca ainda que o uso frequente de medicamentos por conta própria e o consumo excessivo de cafeína, embora possam proporcionar alívio momentâneo, não tratam a doença e podem contribuir para a manutenção do ciclo da dor, favorecendo a cronificação da enxaqueca.
*Com informações da Assessoria






