Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Mais de um ano após a morte da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, a Justiça do Amazonas condenou sete integrantes de um grupo acusado de operar um esquema de tráfico e distribuição ilegal de cetamina em Manaus. Entre os sentenciados estão a mãe da artista, Cleusimar Cardoso Rodrigues, e o irmão dela, Ademar Farias Cardoso Neto, ambos condenados a 10 anos e 11 meses de prisão em regime fechado.
A decisão foi proferida pela juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), que reconheceu a existência de uma associação criminosa voltada à obtenção, fornecimento e uso irregular da substância. As penas impostas aos réus variam de 8 anos e 6 meses a 10 anos e 11 meses de reclusão.
Segundo a sentença, o grupo mantinha um esquema estruturado para adquirir cetamina por meio de uma clínica veterinária e destiná-la ao consumo humano. A investigação aponta que a droga era utilizada em encontros promovidos pela seita religiosa “Pai, Mãe, Vida”, onde os participantes eram convencidos de que a substância proporcionava benefícios espirituais e processos de cura.
As apurações também indicam que a rede de salões Belle Femme era utilizada pelos envolvidos como um dos locais ligados às atividades do grupo. Para a magistrada, as provas produzidas ao longo da instrução demonstraram a atuação coordenada dos acusados na prática dos crimes.
Condenados
Além de Cleusimar e Ademar, também foram condenados:
- José Máximo Silva de Oliveira, veterinário e proprietário da clínica MaxVet, a 10 anos e 4 meses de prisão;
- Hatus Moraes Silveira, personal trainer, a 10 anos e 5 meses;
- Verônica da Costa Seixas, gerente, a 10 anos;
- Sávio Soares Pereira, funcionário de clínica veterinária, a 9 anos, em regime semiaberto;
- Bruno Roberto da Silva Lima, ex-companheiro de Djidja Cardoso, a 8 anos e 6 meses de prisão.
A Justiça manteve a prisão preventiva de Cleusimar, Ademar, José Máximo e Hatus, que permanecerão presos durante a tramitação dos recursos. Já Verônica, Sávio e Bruno poderão recorrer em liberdade, desde que cumpram medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Processo foi reanalisado
Esta é a segunda sentença proferida no caso. A primeira decisão havia sido anulada após o Ministério Público do Amazonas reconhecer falhas na produção das provas periciais e solicitar que o processo retornasse à primeira instância.
Com a regularização da perícia, a juíza concluiu que havia elementos suficientes para comprovar tanto a materialidade dos crimes quanto a participação de cada um dos condenados na organização criminosa.
Três acusados foram absolvidos
A magistrada absolveu Emicley Araújo Freitas, Claudiele Santos da Silva e Marlisson Vasconcelos Dantas por entender que não havia provas capazes de demonstrar envolvimento deles com os crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Djidja Cardoso foi encontrada morta em sua residência no dia 28 de maio de 2024. O laudo do Instituto Médico Legal apontou que a causa da morte foi um edema cerebral, responsável por comprometer as funções cardíaca e respiratória.






