Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM), Givancir Oliveira, afirmou nesta terça-feira, 21/7, que a greve da categoria continuará enquanto os salários atrasados não forem pagos. Segundo ele, a crise enfrentada pelas empresas de transporte coletivo é consequência da falta de repasses do Governo do Amazonas ao sistema, especialmente relacionados ao Passe Livre Estudantil.
A declaração ocorre em meio ao impasse envolvendo o financiamento do benefício estudantil. Mais cedo, o prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), acusou o Governo do Estado de não cumprir integralmente os repasses e afirmou que a administração estadual ainda não teria transferido recursos referentes a 2026.
Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que a dívida acumulada com o Passe Livre Estudantil chega a R$ 90,1 milhões, valor atribuído ao Governo do Estado e à Prefeitura de Manaus.
Para Givancir Oliveira, o principal prejudicado pela situação é o trabalhador rodoviário, que continua sem receber os salários em dia.
“O Governo do Estado, infelizmente, vem dando um calote nas empresas e, com isso, vem maltratando o trabalhador. Por isso foi tomada a decisão de cruzar os braços, de fazer greve, porque é a única maneira que nós temos para tentar ter dignidade. Olha o absurdo: você é um trabalhador que não tem dignidade de trabalho e não recebe”, declarou.
O sindicalista afirmou que a paralisação será mantida até que a situação seja resolvida, mas garantiu que a categoria cumprirá a determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que determinou a circulação de 80% da frota nos horários de pico e de parte dos veículos nos demais períodos.
“Enquanto não tiver pagamento para a minha categoria, a greve vai continuar. O sindicato vai cumprir a ordem judicial. Esperamos que o Governo do Estado se sensibilize e pague as empresas para que elas não fechem as portas e não demitam trabalhadores”, disse.
Givancir também afirmou apoiar o Passe Livre Estudantil, mas ressaltou que o benefício precisa ser financiado conforme os compromissos assumidos pelo poder público.
“Eu sei que o Passe Livre é justo para o estudante. Eu lutei pelo Passe Livre para o estudante, mas alguém tem que pagar. O Estado fez o compromisso de pagar a passagem do estudante e não está pagando”, ressaltou.
Na avaliação do presidente do sindicato, o atraso nos repasses tem reflexos diretos sobre os trabalhadores do transporte coletivo.
“O rodoviário também faz parte da população. É ele que trabalha debaixo do sol, debaixo da chuva, levando o povo para cima e para baixo. O maior prejudicado é o trabalhador que faz o serviço e, depois, a população.”
Paralisação
A paralisação dos rodoviários começou na segunda-feira, 20, após o descumprimento do calendário judicial de pagamento dos salários. Depois de decisão do TRT-11, cerca de 80% da frota voltou a circular em Manaus nesta terça-feira nos horários de maior movimento, enquanto a greve segue mantida pela categoria até que os vencimentos sejam regularizados.






