Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
HUMAITÁ (AM) – O Ministério Público Eleitoral do Amazonas abriu uma apuração para investigar um evento político realizado em Humaitá, no interior do estado, no dia 1º de julho, que teria promovido pré-candidaturas às Eleições Gerais de 2026. O caso mira a participação dos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz na ocasião, marcada por carreata, discursos e forte estrutura publicitária.
A Promotoria Eleitoral da 17ª Zona, em Humaitá, recebeu a denúncia no dia 3/6, e autuou uma Notícia de Fato Eleitoral para preservar as provas já reunidas, entre elas estão fotos, vídeos, áudios e relatos do evento. O documento, assinado pelo promotor de Justiça Weslei Machado, aponta indícios de abuso de poder político e econômico, propaganda antecipada, condutas vedadas a agentes públicos e eventual uso irregular de recursos.

Como os fatos envolvem pré-candidaturas a cargos estaduais e federais, e não apenas municipais, a promotoria local não tinha competência para seguir com o caso e o repassou à Procuradoria Regional Eleitoral do Amazonas.
Após essa denúncia, na última quinta-feira, 16, a Procuradoria Regional formalizou como Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE) nº 5, assinado pelo procurador regional eleitoral Edmilson da Costa Barreiros Júnior.
O órgão tem agora 30 dias, prorrogáveis, para concluir a apuração sobre possível propaganda política antecipada, em suposta violação ao artigo 36 da Lei nº 9.504/1997, além de eventual abuso de poder.

O que teria ocorrido em Humaitá
Segundo os elementos reunidos pelo MPE, os senadores Eduardo Braga e Omar Aziz chegaram a Humaitá por volta das 17h30/18h do dia 1º de julho, em uma aeronave que, de acordo com a notícia recebida pelo órgão, teria sido custeada com recursos público, circunstância que, se confirmada, pode configurar desvio de finalidade.
Após a chegada, teria sido realizada uma carreata ou motociata, com distribuição de bandeiras estampando as imagens dos dois senadores. Em seguida, o grupo se deslocou até a quadra da Escola Estadual Patronato Maria Auxiliadora, espaço descrito como particular, mas alugado pelo Governo do Amazonas e vinculado ao funcionamento de uma unidade estadual de ensino.

No local, o evento reuniu palco, telão, sistema de som, iluminação, arquibancadas ocupadas, faixas, banners, balões e camisetas padronizadas. De acordo com a apuração preliminar, o ato serviu para lançar publicamente a pré-candidatura de Felipe Lobo, irmão do prefeito de Humaitá, José Cidenei Lobo do Nascimento, ao cargo de deputado estadual.
Nos discursos, Omar Aziz teria apresentado Felipe Lobo como “caboclo da terra” e “filho da terra”, enquanto Eduardo Braga teria afirmado que quem “torcesse contra” o grupo político enfrentaria os dois senadores.
Também houve, segundo o documento, referência a Omar Aziz como “próximo governador” e à manutenção do mandato de Silas Câmara como deputado federal.
O material reunido pelo órgão inclui ainda fotos de outdoors espalhados pela cidade, com dizeres como “Sejam bem-vindos a Humaitá”, “Eduardo Braga & Omar Aziz” e “Amazonas mais forte de novo”, além de uma peça publicitária de grande formato com a frase “Felipão rumo ao Hexa”, associada à promoção de Felipe Lobo. Também foi registrada, dentro do evento, a presença de integrantes da ASSAF-ACRA (Associação dos Produtores Rurais do Alto Crato), com faixas e cartazes ligados a demandas comunitárias.

MP destaca defesa da lisura das eleições
Ao justificar a abertura da investigação, o Ministério Público ressalta que sua atuação busca garantir a normalidade e a legitimidade das eleições.
A portaria destaca que cabe ao Ministério Público Eleitoral proteger a democracia e impedir a influência do poder econômico ou o abuso do poder político e administrativo sobre o processo eleitoral, além de combater ilícitos eleitorais e assegurar a igualdade de oportunidades entre os candidatos.
Procurados, os gabinetes de Eduardo Braga, Omar Aziz e da Prefeitura de Humaitá ainda não se manifestaram sobre o caso.






