MANAUS (AM) – A cesta básica em Manaus subiu 0,64% em junho de 2026 e passou a custar R$ 732, 90, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No acumulado de 2026, a alta chega a 18,13%. Já nos últimos 12 meses, o aumento foi de 8,54%.
Para quem depende de um salário mínimo, o aumento no custo dos alimentos tem tornado cada vez mais difícil equilibrar as contas no fim do mês.
Preço do feijão dispara (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)Farinha teve alta no preço (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
O eletricista Firmo Farias Sampaio, de 41 anos, afirma que o salário já não acompanha a inflação e critica o impacto da alta dos preços sobre as famílias.
“É exorbitante, decorrente dos impostos. A população brasileira, na verdade, é saqueada. Deveria haver uma política pública voltada para o reajuste desses valores, porque o salário mínimo não é compatível com a cesta básica. A inflação cresce, o poder de compra diminui, e isso acaba trazendo até um trauma psicológico para as famílias. Às vezes, a criança quer alguma coisa e o pai não pode comprar, porque a prioridade é colocar alimento dentro de casa”, ponderou Sampaio.
Firmo Farias Sampaio afirma que o salário já não acompanha a inflação (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
A moradora da zona Leste de Manaus, Andreza Maia, de 50 anos, também reclama da dificuldade para manter o orçamento diante da alta dos alimentos.
“É um absurdo para quem paga luz, água e, no meu caso, aluguel. Tenho que viver. O preço do arroz, do feijão, do macarrão, da carne… Pelo amor de Deus. Prometeram picanha, mas nem para picanha está dando, muito menos para alcatra. Está tudo muito caro. O custo de vida aumentou muito para quem vive com um salário mínimo. Não dá. A gente tem que correr atrás de um preço menor”, desabafou Andreza.
Andreza Maia diz que o custo de vida está alto em Manaus (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Feijão lidera alta dos alimentos
Entre maio e junho, os maiores aumentos foram registrados no feijão carioca (18,92%), na farinha de mandioca (3,88%) e na manteiga (3,30%). Em contrapartida, os produtos que apresentaram maior queda foram a banana (-6,19%), o café em pó (-2,02%) e o açúcar cristal (-1,85%).
Na Feira da Manaus Moderna, comerciantes também sentem os reflexos da alta dos preços.
A trabalhadora autônoma Tatiana da Silva afirma que os reajustes constantes, principalmente da carne, têm afastado clientes.
Tatiana da Silva diz que perdeu clientes com o aumento no preço da carne (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
“A carne não tem um preço fixo. Todos os dias ela aumenta e estamos perdendo clientes por isso. Está tudo caro mesmo. Acho um absurdo. Vai chegar um ponto em que a pessoa vai ter que escolher entre a carne, o feijão ou a farinha. E vai acabar levando só a farinha”, relatou Tatiana.
Negociação para manter clientes
Mesmo diante da alta dos custos, comerciantes afirmam que procuram negociar para evitar perder consumidores. O açougueiro Márcio Gustavo, da Feira da Manaus Moderna, explica que os preços variam conforme o corte, mas que o diálogo com fornecedores e clientes ajuda a reduzir os impactos dos reajustes.
“Os cortes ficam, em média, entre R$ 25 e R$ 35. O traseiro e o bife mole custam em torno de R$ 46. Já os cortes de picanha chegam a R$ 75.”
Márcio aposta na negociação e na qualidade da carne para fidelizar clientes (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
Segundo ele, a estratégia é preservar a qualidade da carne sem repassar aumentos excessivos ao consumidor.
“Muitos clientes reclamam. Porém, como já temos uma relação de muitos anos com eles, conversamos e negociamos. Assim conseguimos chegar a um preço que não fique tão ruim nem para nós, nem para eles. E a carne continua sendo de boa qualidade”, explicou Márcio.
A pesquisa do Dieese acompanha os preços dos alimentos básicos em 27 capitais brasileiras e integra ações voltadas ao monitoramento da segurança alimentar e da política nacional de abastecimento.