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Moradores que perderam casas em incêndio protestam e pedem prioridade em residencial construído pelo Governo do AM

Famílias que perderam as casas no incêndio de maio querem ser incluídas no programa habitacional do Governo do Amazonas e dizem que o benefício de aluguel não cobre os custos de moradia

6 de julho de 2026
em Cidades
Tempo de leitura: 8 min
Famílias atingidas por incêndio cobram acesso a apartamentos do complexo Cachoeira Grande

Dois meses após incêndio, famílias do Beco Jacaré voltam às ruas por moradia (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

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Lauris Rocha – Rios de Notícias

MANAUS (AM) – Dois meses após o incêndio que destruiu mais de 40 casas no Beco Jacaré, no bairro São Jorge, zona Oeste de Manaus, moradores voltaram a protestar na tarde desta segunda-feira, 6/7. Desta vez, o grupo se reuniu em frente ao residencial Cachoeira Grande, que está em construção nas proximidades da área atingida, para pedir que as famílias sejam incluídas entre as beneficiadas pelas unidades habitacionais.

A manifestação ocorreu enquanto técnicos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) realizavam uma vistoria no empreendimento.

Waldemarina Dias quer inclusão de moradia (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

Segundo os moradores, o objetivo é sensibilizar o Governo do Amazonas para que as famílias que perderam as casas no incêndio registrado em maio tenham prioridade na destinação dos apartamentos.

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A cuidadora Waldemarina Dias, de 58 anos, que perdeu a casa no incêndio, afirma que já possui cadastro em programas habitacionais e espera uma solução.

“A gente veio reivindicar nossa inclusão no programa dos apartamentos, porque a gente sabe que 79 famílias que foram atingidas em 2012, elas estão garantidas no programa. A gente teve incêndio recente e não está incluso ainda. Eu sou vítima do incêndio do último dia 3 de maio e estarmos morando de aluguel. A gente está recebendo R$ 600 e não é suficiente para suprir o aluguel, porque a gente encontra aluguel de R$ 1.000 e 1.500”, explicou.

Moradores do Beco Jacaré lutam pela inclusão em programa habitacional (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

O autônomo Hugo Carneiro, de 43 anos, também participou da manifestação pacífica e defendeu que os moradores atingidos tenham prioridade no empreendimento.

“Nós queremos uma resposta desse projeto aqui do Cachoeira Grande. Estamos fazendo essa manifestação pra isso. É pra gente adquirir nossos direitos, nós precisamos. Eu acho que a preferência era pra gente, que moramos desse lado. Não pra outros que vêm de fora. Tá todo mundo sem moradia, está todo mundo espalhado”, disse.

De acordo com o contrato nº 009/2025, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), a obra do complexo habitacional Cachoeira Grande está orçada em mais de R$ 78 milhões. O empreendimento prevê a construção de duas quadras habitacionais e teve início em 30 de outubro de 2025 com conclusão prevista para 20 de outubro de 2027.

O residencial terá 260 unidades prontas para morar em 2027 (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

O diarista Edmilson Leite, de 62 anos, uma das vítimas do incêndio ocorrido em 2012 na mesma região, contou que se inscreveu em programas habitacionais do município e do Estado, mas ainda não foi contemplado.

“Nós tivemos ajuda do governo (na época), recebemos um aluguel de R$ 400, muitos receberam indenização, outros não, eu recebi indenização, mas com dinheiro não dá para comprar nenhuma casa. Estou morando alugado até hoje. Com o incêndio, muita gente perdeu, muita gente ganhou apartamento, inclusive teve gente que não morava aqui e ganhou apartamento, e quem morava não ganhou”, afirmou.

O coordenador do Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM), Leonardo Farias, deixou a vistoria para conversar com os manifestantes que estavam do lado de fora do empreendimento e explicou que parte das unidades já possui destinação definida.

“São 79 famílias aguardando a construção dessa obra que é de 260 unidades, elas estão no aluguel social aguardando a entrega desta obra. O restante, vão ser pessoas em volta do igarapé, nas palafitas, que vão ser cadastradas para poder incluir e fechar os 260 nomes aqui dentro. Como eles sofreram o incêndio agora, eles estão querendo apressar o processo de inclusão dentro do programa, é por isso está reunião deles, estão precisando fazer essa inclusão”, explicou.

Leonardo Farias, coordenador do MNLM foi conversar com as famílias (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

Segundo Farias, a inclusão das vítimas do incêndio ocorrido em maio depende de procedimentos administrativos e da apresentação de documentos.

“Eles precisam do laudo do bombeiro, o laudo da perícia da Polícia Civil, de qual foi a causa do incêndio, organizar moradores com documento, quem está inscrito no ‘Amazonas Meu Lar’ pega o número da inscrição, quem já foi cadastrado lá no início da obra quando eles fizeram o projeto aqui. Esses que não sofreram incêndio, eles fazem cadastro pelo Amazonas Meu Lar e ficam aguardando a posição de ser chamado para eles se incluírem também, que parece que tem mais de 400 pessoas que foram cadastradas no envoltório, a demanda é maior, mas é uma luta de ir aos poucos colocando essas pessoas dentro do programa”, destacou.

Auxílio-aluguel é alvo de críticas

Além da reivindicação por moradia definitiva, os moradores reclamam do valor pago por meio do auxílio-aluguel concedido após o incêndio. Segundo eles, o benefício não cobre os custos de locação em Manaus.

Hugo Carneiro reclama do baixo valor do auxílio aluguel (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)

“Esse aluguel é só pelo um ano e seis meses, mas eles não estão pagando um ano e seis meses mais, diz que é só um ano e dois meses. Aí acabou pronto, a gente não tem onde morar é ficar todo mundo na rua. Não é isso que nós queremos, nós queremos uma resposta deles”, afirmou Hugo Carneiro.

Governo do Estado responde

Em nota, emitida ao Portal Rios de Notícias, em junho deste ano, a Sedurb e a UGPE afirmaram solidariedade às famílias e esclareceram que a área atingida pelo incêndio não tem relação direta com os programas atualmente em execução pelos órgãos. Segundo os órgãos, as ações do Prosamim no São Jorge foram concluídas anteriormente, com mais de 800 reassentamentos realizados.

O conjunto habitacional em construção no bairro, explicaram, será destinado inicialmente às 79 famílias vítimas de um incêndio ocorrido no mesmo local em 2012 e, posteriormente, a outras famílias via o programa Amazonas Meu Lar. Famílias interessadas podem realizar pré-cadastro pelo site amazonasmeular.am.gov.br ou pelo aplicativo SASI.

Tags: AmazonasBrasilGoverno do AmazonasManausPrefeitura de Manaus

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