Kataryne Dias – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Única mulher entre os principais pré-candidatos ao Governo do Amazonas, a Professora Maria do Carmo (PL) voltou a ter sua pré-candidatura reafirmada nesta semana pelo presidente estadual do Partido Liberal no Amazonas, Alfredo Nascimento.
A recorrente confirmação de seu nome na disputa pelo maior cargo do Executivo estadual reacende o debate sobre a participação feminina na política e os desafios enfrentados pelas mulheres para ocupar espaços de poder.
Diante desse cenário, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS ouviu a pré-candidata e especialistas para responder à seguinte questão: por que a única mulher na disputa pelo Governo do Amazonas precisa reafirmar constantemente sua posição no cenário político?
Empresária, Maria do Carmo chegou ao segundo turno das eleições municipais de 2024 como candidata a vice-prefeita de Manaus na chapa encabeçada por Alberto Neto. Em maio de 2025, teve sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas anunciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde então, a Professora, como é conhecida, tem se apresentado como representante da direita na disputa pelo Governo do Estado e trabalha para consolidar sua pré-candidatura pelo Partido Liberal (PL), uma das maiores siglas do país.

Em entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, Maria do Carmo afirmou que um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres na política continua sendo a desigualdade de representatividade nos cargos eletivos.
“Apesar de ser maioria do eleitorado e da população, a mulher ainda registra menos de 20% de representatividade na política. Assim como em diversos setores da sociedade, infelizmente, na política também é preciso enfrentar essa disparidade de gênero”, avaliou.
A pré-candidata afirmou ainda que decidiu disputar o Governo do Amazonas por entender que o atual cenário político necessita de mudanças.
“A velha política ainda traz muitos outros desafios, como a indústria das fake news, ataques e tantas outras artimanhas que em nada priorizam o bem-estar da população, mas sim os próprios interesses. É contra isso que lutamos e que resolvi entrar para a política partidária, porque não aguento mais ver políticos enriquecendo e o nosso povo cada vez mais pobre, mesmo vivendo em um dos estados mais ricos do país”, declarou.
Presença feminina na política
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a analista política Márcia de Castro afirmou que a necessidade de reafirmação das candidaturas femininas está ligada a fatores históricos, culturais e estruturais que ainda influenciam o ambiente político.
“As candidaturas femininas ainda enfrentam um teste que os homens não enfrentam: elas precisam provar competência antes de pedir voto, enquanto eles já chegam com a competência presumida. Isso gera as tais ‘dúvidas’, que, na verdade, são apenas preconceito com roupa de ceticismo eleitoral”, afirmou.

Barreiras à participação feminina
Segundo Márcia de Castro, a resistência à presença das mulheres na política se manifesta em diferentes etapas do processo eleitoral, como no financiamento de campanhas, na cobertura da imprensa e nas decisões internas dos partidos.
Para a analista, as estruturas partidárias ainda favorecem candidaturas masculinas já consolidadas, enquanto mulheres costumam ser direcionadas para cargos de vice ou suplência sob o argumento de que “ainda não é o momento”.
“Existe resistência, sim, e ela aparece de três formas. Primeiro, no financiamento de campanha, que historicamente favoreceu nomes masculinos. Segundo, na cobertura da mídia, que questiona a vida pessoal, o tom de voz e a aparência de candidatas de um jeito que nunca faz com candidatos. Terceiro, no chamado cálculo de viabilidade dos partidos, que empurra mulheres para vices e suplências com a desculpa de que ‘ainda não é a hora dela’, um discurso que se repete há décadas e nunca chega a uma hora concreta”, disse.
Na avaliação da especialista, ainda há diferenças na forma como homens e mulheres são percebidos no ambiente político, fazendo com que candidaturas femininas sejam tratadas, muitas vezes, como exceção, e não como parte natural da disputa por cargos de poder.
Única mulher entre os pré-candidatos
Maria do Carmo é a única mulher entre os principais pré-candidatos ao Governo do Amazonas. O cenário acompanha uma realidade nacional em que mulheres continuam sendo minoria nas disputas pelos cargos do Poder Executivo, apesar de representarem a maioria do eleitorado brasileiro.
No Amazonas, dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referentes às eleições de 2024 mostram que 51% do eleitorado é formado por mulheres, enquanto os homens representam 49%.
Apesar desse cenário, desde a Proclamação da República, em 1889, nenhuma mulher foi eleita governadora do Amazonas. Ao longo da história republicana, o Estado foi administrado por presidentes de Estado, interventores e governadores, todos do sexo masculino.






