Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O presidente do Conselho de Arte do Boi Caprichoso, Ericky Nakanome, detalhou os caminhos conceituais que irão conduzir as três noites do projeto “Brinquedo que Canta Seu Chão”, em entrevista à Rede Rios de Comunicação nesta quarta-feira, 25/6.
Durante a conversa, Nakanome explicou a estrutura dos três subtemas que serão apresentados pelo bumbá no Festival de Parintins e comentou a decisão de abrir as três noites de espetáculo no Bumbódromo.
Segundo ele, o tema está organizado em três grandes narrativas que partem de Parintins, atravessam a Amazônia e alcançam a dimensão nacional da cultura popular brasileira.
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Escolha estratégica para abrir as três noites
Questionado sobre a decisão de o Caprichoso abrir as três noites do festival, Ericky Nakanome destacou que a escolha está relacionada à proposta artística e ao porte das alegorias que serão levadas à arena.
“O Caprichoso escolheu abrir as três noites do festival por trazer um boi alegoricamente grande, muito grande. Para a gente, é mais tranquilo entrar na arena com a apresentação já montada ali na boca do gol”, explicou.
Segundo ele, a estratégia garante melhores condições para a execução do espetáculo, especialmente em um ano em que o boi aposta em grandes estruturas cênicas para fortalecer a narrativa do tema.
O chão de origem e a força de Parintins
De acordo com Nakanome, a primeira noite será dedicada ao que ele define como “chão primal”, o território de origem do boi-bumbá e da identidade do Caprichoso.
“Primeiro, o Caprichoso canta seu chão primal, onde nós estamos, o espaço onde o Roque Cid cumpre sua promessa”, afirmou.
Ele explica que o espetáculo exalta Parintins como berço da brincadeira e da cultura popular que moldou a trajetória do bumbá. A proposta é apresentar as raízes do Caprichoso por meio de rituais, danças, lendas e elementos que representam a identidade construída ao longo das gerações.
“A gente entra e canta Caprichoso, o brinquedo do povo canta Parintins, chão de origem. Então, a gente vem para brincar de boi, para apresentar nossos ritos, danças e lendas, amplificando esse canto”, acrescentou.
A Amazônia como chão da vida
Na segunda noite, o espetáculo amplia seu olhar para a Amazônia, apresentada como território ancestral e essencial para a existência humana.
Segundo Nakanome, o subtema propõe uma reflexão sobre a relação entre sociedade e floresta, destacando a responsabilidade compartilhada na preservação da vida.
“O Brinquedo Ancestral canta a Amazônia ao chão da vida. É o momento em que o Caprichoso celebra isso, essa força crítica em relação a esse ambiente, a esse território do qual nós dependemos para estar vivos e que também depende da gente para continuar”, afirmou.
A proposta reforça a conexão entre cultura, natureza e ancestralidade, marcas presentes nas apresentações do Boi Caprichoso nos últimos anos.
O eco da brincadeira para todo o Brasil
A terceira noite leva à arena o conceito do “Brinquedo da Resistência”, ampliando a narrativa para além da Amazônia e projetando o boi-bumbá como manifestação cultural de dimensão nacional.
Para Nakanome, será o momento em que o Caprichoso transforma sua voz em um canto coletivo, representando a força dos povos do Norte e da cultura popular brasileira.
“O Brinquedo da Resistência canta o Norte do Brasil, chão de bravos. É o momento em que o Caprichoso amplifica o seu eco, o seu canto, para ecoar na brasilidade também a força da brincadeira de boi-bumbá”, destacou.
‘Brinquedo que Canta Seu Chão’
O Boi Caprichoso apresentou oficialmente os conceitos e diretrizes artísticas do projeto “Brinquedo que Canta Seu Chão” nesta quarta-feira, 24/6, durante coletiva de imprensa realizada no Curral Zeca Xibelão, em Parintins.
O encontro reuniu dirigentes, itens oficiais, artistas e profissionais envolvidos na construção do espetáculo, que detalharam como o tema será desenvolvido nas apresentações no Bumbódromo.






