Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Há exatamente um ano, Manaus acompanhava com comoção a morte da biomédica Giovana Ribeiro da Silva, de 29 anos, grávida de sete meses, após um acidente de motocicleta na avenida Djalma Batista, na zona Centro-Sul da capital. A filha que ela esperava, Maria Carolina, também não resistiu.
O caso, ocorrido em 22 de junho de 2025, ultrapassou as páginas policiais e se transformou em um dos episódios mais marcantes da história recente da cidade.
Entre protestos, debates políticos, investigações e cobranças por melhorias na infraestrutura urbana, a tragédia passou a simbolizar uma discussão maior sobre segurança viária, responsabilidade do poder público e preservação da vida.
Doze meses depois, a dor permanece presente na rotina dos familiares, que seguem cobrando respostas e responsabilização dos envolvidos.
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A noite que mudou tudo
Na noite de 22 de junho de 2025, Giovana retornava para casa ao lado do marido, João Vitor, em uma motocicleta Honda Biz. Segundo as investigações, o veículo passou por um buraco na avenida Djalma Batista, fazendo com que o condutor perdesse o controle da direção.
O casal foi arremessado contra árvores localizadas no canteiro central da via. Giovana morreu ainda no local.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentaram salvar a bebê Maria Carolina, que estava no sétimo mês de gestação, mas ela também não resistiu.
João Vitor sobreviveu ao acidente, mas passou a enfrentar uma rotina marcada pela recuperação dos ferimentos, pelo luto e pela luta por justiça.
A perícia apontou que o buraco tinha cerca de 17 centímetros de profundidade, informação que se tornou um dos principais elementos das investigações.
Comoção tomou conta da cidade
A morte da biomédica provocou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou moradores de Manaus.
O velório reuniu familiares, amigos e profissionais da área da saúde. Dias depois, manifestações passaram a ocupar ruas da capital, com cobranças por melhorias na infraestrutura urbana e apuração das circunstâncias do acidente.
Em 30 de junho de 2025, familiares e apoiadores realizaram um protesto na avenida das Torres. Nos meses seguintes, novas mobilizações ocorreram em diferentes pontos da cidade, principalmente na própria Djalma Batista.
Caso chegou à Assembleia e à Câmara Municipal
A tragédia também repercutiu no meio político. Na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), parlamentares cobraram esclarecimentos sobre as condições das vias públicas e a aplicação de recursos destinados à recuperação do sistema viário da capital.
Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereadores passaram a defender a criação da chamada “CPI dos Buracos”, proposta que buscava investigar investimentos e contratos relacionados à manutenção das ruas da cidade.
A luta de João Vitor
Ao longo do último ano, João Vitor se tornou uma das principais vozes na busca por respostas. Mesmo enfrentando o luto, participou de manifestações, concedeu entrevistas e levou o caso para espaços de debate público.

Em março deste ano, durante entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, ele resumiu a dimensão da perda em uma frase que emocionou a população. “Eu só queria um domingo com elas, assistindo um filme, nós três juntos. Era só isso”.
Dor que permanece
Para a mãe de Giovana, Goretti Ribeiro, o sentimento continua sendo de revolta e tristeza. “Dor profunda. Desrespeito pela vida, pelos cidadãos, descaso total por toda a população. Seguimos enlutados, sofrendo e acreditando que Deus mudará o quadro para fazer justiça”.

A irmã da biomédica, Gisela Junqueira, afirma que a tragédia poderia ter sido evitada. “Hoje completa um ano de uma tragédia que marcou nossas vidas e que poderia ter sido evitada se não fosse a omissão, corrupção, incompetência e ganância pelo dinheiro público”.
Ela também critica a forma como o episódio é tratado por parte das autoridades. “Não podemos dizer que foi acidente quando existem graves falhas da gestão que existe para proteger e acolher cada cidadão desse grande e lindo município”.
Segundo Gisela, a busca da família vai além da responsabilização judicial. “Existe uma ausência permanente e dolorosa e uma busca constante pela verdade, responsabilidade e mudanças reais. O que mais revolta e preocupa é assistir tragédias semelhantes acontecendo, mesmo depois de constantes denúncias e cobranças”.
Apesar da dor, ela afirma que a família não busca vingança. “Nosso desejo não é vingança, mas sim justiça, responsabilidade e respeito à memória da doutora Giovana, da Maria Carolina e de todos que perderam a vida devido à negligência e à omissão”.

Um ano depois
Enquanto o processo segue em tramitação na Justiça, familiares continuam cobrando respostas e medidas que possam evitar novas tragédias.
Para eles, a história de Giovana Ribeiro e Maria Carolina não pode ser esquecida. “Acima de tudo, queremos que nenhuma outra família precise conviver com a dor e a injustiça que nós convivemos todos os dias”, conclui Gisela.






