Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Estudantes, professores, técnicos e representantes de entidades ligadas à educação realizaram uma manifestação contra o bloqueio de R$ 100 milhões no orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O ato ocorreu em frente à sede do Governo do Amazonas, na zona Oeste de Manaus, na manhã desta quinta-feira, 18/6.
A mobilização reuniu integrantes da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM) e do Sindicato dos Professores da UEA (SIND-UEA), além de servidores técnicos e representantes de movimentos ligados à educação. Os grupos afirmam que a medida representa risco à permanência estudantil, à qualidade do ensino e ao funcionamento da universidade no interior do estado.
O protesto acontece após a repercussão do contingenciamento dos recursos da UEA. Embora o governo tenha sinalizado a revogação do decreto após a pressão de estudantes e servidores, os manifestantes dizem que os valores seguem bloqueados e sem possibilidade de uso pela instituição.
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A presidente da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), Thaly Duarte, afirmou que o impacto vai além dos números do orçamento.
“Esse corte de R$ 100 milhões é bem mais do que dinheiro que não vai para a universidade. Representa o sonho da classe trabalhadora, dos filhos e das filhas da classe trabalhadora de entrar em uma universidade pública que está sendo cortado junto”, disse.
Ela também destacou possíveis impactos na assistência estudantil. “R$ 100 milhões a menos para a UEA é uma política de assistência estudantil a menos, é menos dinheiro para o restaurante universitário, é menos recurso para o estudante e também para trabalhadores e professores”, afirmou.
Thaly questionou ainda a posição do governo sobre a suspensão da medida. “O dinheiro vai continuar contingenciado dentro dos cofres da UEA. Ou seja, é como se não pudesse usar o recurso. Ele fica bloqueado e não pode ser utilizado”, completou.
Sindicato aponta impactos na estrutura e no interior
A presidente do Sindicato dos Professores da UEA (SIND-UEA), Mônica Xavier, afirmou que a manifestação reúne diferentes pautas, mas tem como principal foco o bloqueio dos recursos da universidade.
“Embora tenham dito que os decretos foram suspensos, os R$ 100 milhões continuam contingenciados, ou seja, continuam bloqueados. E nós estamos contra esse bloqueio”, disse.

Segundo ela, o impacto atinge diretamente os centros universitários no interior do estado. “Esse recurso é essencial para que haja assistência estudantil de qualidade, para manter as estruturas dos centros no interior e para garantir o funcionamento da universidade com qualidade”, afirmou.
Mônica também citou demandas antigas da categoria, como a reposição salarial. “Nós estamos há mais de quatro anos sem data-base. Isso representa uma perda salarial de 24,92%, praticamente um quarto dos nossos salários”, relatou.
Ela ainda destacou a falta de professores em alguns cursos. “Precisamos de concurso público para professores e técnicos. Há cursos funcionando com quatro ou cinco professores. A situação é muito preocupante”, disse.
Sindicato cobra autonomia da universidade
A vice-presidente do SIND-UEA, Cleane Simões, afirmou que a principal preocupação da entidade é a falta de autonomia da instituição diante das decisões do Executivo estadual.
“A gente vê com muita preocupação a falta de autonomia da universidade. O governo impõe sanções à instituição e enfraquece a principal universidade formadora do estado”, afirmou.
Ela disse ainda que a mobilização deve continuar. “Esse é apenas o primeiro ato. Vamos continuar mobilizados para garantir que esses recursos permaneçam na universidade e sejam efetivamente executados”, declarou.
Sem posição
O riosdenoticias.com.br solicitou posicionamento do Governo do Amazonas sobre as manifestações e as críticas relacionadas ao bloqueio dos recursos da UEA. Até a publicação desta matéria, não houve resposta.
No entanto, em coletiva de imprensa realizada na semana passada, o governador Roberto Cidade (União) afirmou durante coletiva de imprensa: “nós vamos fazer um contingenciamento desse valor [R$ 100 milhões] da UEA porque nesse momento nós precisamos conter despesas”.
*Em colaboração com Kataryne Dias e Tunico Santos






