Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O exame residuográfico realizado pelo Instituto de Criminalística, divulgado nesta quinta-feira, 28/5, apontou resultado negativo para a presença de partículas de chumbo nas mãos de João Paulo Maciel dos Santos, conhecido como “JP”, de 19 anos, que foi morto durante uma ação da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), no beco Arthur Virgílio, bairro Vila da Prata, zona Oeste de Manaus, em outubro de 2025.
De acordo com o laudo, a ausência de partículas de chumbo indica que o jovem não efetuou disparos de arma de fogo, contrariando a hipótese de que ele teria reagido à abordagem dos policiais militares e que teria ocorrido uma troca de tiros, na qual os agentes alegaram legítima defesa.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens registradas no momento da abordagem policial, que mostram João Paulo sendo levado vivo por PMs para um beco. Minutos depois, os policiais saem do local carregando o corpo do jovem enrolado em um pano.

Na época, a Polícia Militar do Amazonas (PMAM) informou que uma equipe da Rocam realizava patrulhamento tático quando recebeu uma denúncia anônima sobre homens armados comercializando entorpecentes na localidade.
Segundo a corporação, ao chegar ao local, a equipe teria sido recebida a tiros pelos suspeitos, que fugiram pelos quintais das residências. Com apoio de outras equipes, os policiais entraram pela lateral de um imóvel e, novamente, foram alvejados por disparos, reagindo à agressão. Um dos suspeitos, João Paulo, foi atingido e chegou a ser socorrido ao SPA Joventina Dias, onde a morte foi confirmada.
Durante a ação, a Rocam apreendeu um revólver calibre 38, munições, porções de entorpecentes, duas balanças de precisão e R$ 152 em espécie.
Após o caso, familiares e amigos de João Paulo Maciel realizaram um protesto na avenida Brasil, bairro Compensa, zona Oeste de Manaus. Eles pediam esclarecimentos sobre a morte do jovem e, com cartazes e pneus queimados, ocuparam parte da via.

Segundo os familiares, a mobilização teve como objetivo chamar a atenção das autoridades para o caso e para a violência policial durante a abordagem.
Operação Simulacrum
Já em março deste ano, onze policiais militares foram alvo de mandados de prisão preventiva durante a operação “Simulacrum” realizada pelo Ministério Público do Amazonas. Entre os investigados estão um capitão, dois cabos, um terceiro-sargento e sete soldados ligados à Rocam. Dez já foram presos e um ainda não foi localizado, pois está fora do estado.
A operação foi conduzida pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública.
Na época, a Justiça autorizou 38 mandados, sendo 11 de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão e oito medidas cautelares diversas da prisão. A decisão foi expedida pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
Entre os presos está o capitão da PM, Wilkens Diego Feitosa da Silva, da tropa especializada Rocam.






