Redação Rios
MANAUS (AM) – O engenheiro Antônio Peixoto foi nomeado em abril deste ano pelo prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), para o cargo de diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb). A nomeação coloca na gestão municipal um político que teve a cassação do cargo de vereador mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em julho de 2024, por fraude na cota de gênero.
Antônio chegou a apresentar recursos ao Tribunal Superior e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) para tentar reverter decisões anteriores, mas a cassação foi mantida. O ex-parlamentar perdeu o cargo de vereador após o órgão realizar uma nova avaliação e confirmar a nulidade dos votos do partido, que teria fraudado a cota de gênero nas eleições de 2020.
Antônio Peixoto ainda chegou a se candidatar nas eleições de 2024, novamente, para o cargo de vereador, no entanto, não conseguiu atingir o coeficiente eleitoral. Ainda assim, garantiu um espaço estratégico na administração pública, sendo nomeado pelo ex-prefeito David Almeida (Avante) e pré-candidato ao Governo do Amazonas, em março de 2025, para o cargo de vice-presidente do Implurb.
David disse, na ocasião da posse, que “não poderia deixar guerreiros no caminho, pois estes estiveram ao seu lado durante toda a campanha eleitoral. Hoje foi o dia de iniciar um novo capítulo”, disse ele.


Já em abril, Renato Júnior promoveu Antônio ao cargo de diretor-presidente da pasta, colocando-o no comando do Implurb
“Ser nomeado diretor-presidente do Implurb é mais que uma honra. É um chamado. Ao prefeito David Almeida, meu respeito e reconhecimento. Foi quem me deu a oportunidade de servir Manaus e acreditar que é possível fazer mais e melhor”, disse ele em publicação nas redes sociais.

Polêmicas
Na época filiado ao Agir (antigo Partido Trabalhista Cristão – PTC), Antônio Peixoto fazia parte da legenda nas eleições de 2020, quando a Justiça determinou a anulação de todos os votos recebidos pelo partido no pleito municipal. A decisão apontou que a sigla teria utilizado uma mulher como “candidata laranja”.
O Agir apresentou candidaturas de 18 mulheres, cumprindo a cota de 30% prevista pela legislação. No entanto, uma delas, Maria da Paz Gomes de Barros Santos, não recebeu votos nem realizou atos de campanha, mas utilizou R$ 5,1 mil do fundo partidário para pagar advogado e aluguel de veículo. A denúncia aponta que ela teria atuado como “candidata laranja”.
Em agosto de 2023, quando atuava como vereador, Antônio foi vaiado durante uma manifestação da classe dos motoboys ocorrida na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A categoria pedia a aprovação de um projeto de lei que os beneficiava.
O projeto de lei daria ao trabalhador o direito de efetuar a entrega na portaria ou no térreo da torre/bloco do condomínio, o que significaria um ganho para a categoria, já que retiraria deles a obrigatoriedade de deixar o pedido na porta dos clientes.
O ex-parlamentar argumentou que a proposta, de autoria do vereador Rodrigo Guedes (Republicanos), seria inconstitucional, discriminatória e poderia interferir no direito do consumidor.
O discurso do político gerou revolta da categoria, que assistia à sessão ordinária da galeria da Casa Legislativa. Segundo os trabalhadores, muitas vezes, quando se negam a entrar no condomínio a pé, acabam sendo xingados ou até agredidos.
Enquanto o parlamentar discursava no plenário da CMM, os trabalhadores gritavam: “ano que vem tem eleição”, seguido de vaias contra ele.
Vale ressaltar que, em 2021, o TRE-AM multou Antônio Peixoto, que teve as contas de campanha eleitoral reprovadas pela Corte. Sendo multado em R$ 12.284,85 (doze mil e duzentos e oitenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos) por não declarar a origem da quantia utilizada em sua campanha eleitoral.






