Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A deputada estadual Alessandra Campelo afirmou, durante discurso na tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas nesta terça-feira, 12/5, que aceitou reforço em sua segurança pessoal após denunciar supostas ameaças feitas pelo treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão contra uma das vítimas, supostamente de dentro da prisão.
Melqui Galvão é investigado por supostos crimes sexuais contra alunas adolescentes. O caso ganhou repercussão nacional e internacional após denúncias envolvendo atletas virem à tona no fim de abril deste ano.
Durante o pronunciamento, Alessandra afirmou que os casos de abuso no esporte, especialmente no jiu-jítsu amazonense, prejudicam a imagem da modalidade.
“Melqui Galvão foi preso por abusar de uma adolescente. Várias vítimas apareceram depois da denúncia e continuam aparecendo”, declarou a parlamentar.
Segundo a deputada, mesmo preso, o investigado teria conseguido acesso a um celular dentro da unidade prisional para entrar em contato com uma das vítimas.
A parlamentar criticou a estrutura da carceragem em que Melqui estaria custodiado e relembrou denúncias anteriores envolvendo o uso irregular de celulares por presos.
“Como ele poderia ter um celular? É porque tem vagabundo que protege vagabundo. Eu queria mostrar para vocês o vídeo do Melqui Galvão ameaçando vítimas por ligação de vídeo de dentro da prisão”, afirmou durante o discurso.
De acordo com Alessandra Campelo, o vídeo exibido na Assembleia mostraria o treinador ameaçando uma vítima que atualmente estaria sob proteção em São Paulo.
“Ele está ameaçando uma vítima para que não haja outras denúncias ou mais denúncias, inclusive coagindo vítimas a mudarem depoimento. Ele está na prisão e está ameaçando as vítimas”, denunciou.
A deputada também rebateu críticas relacionadas à demora das vítimas em denunciar os supostos abusos.
“As vítimas têm medo. Quando um abusador recebe um celular e ajuda dentro de uma prisão para ameaçar, como essa vítima vai ter coragem de denunciar?”, questionou.
Ainda durante o pronunciamento, Alessandra afirmou ter acionado imediatamente a cúpula da segurança pública após receber o vídeo. Segundo ela, o policial civil Enoque Galvão, irmão de Melqui, teria facilitado o acesso do investigado à carceragem.
“Sabe quem abriu a carceragem para esse abusador ameaçar as vítimas? O próprio irmão dele, que também é policial”, declarou.
Ao final do discurso, a parlamentar afirmou temer por sua segurança e confirmou que aceitou reforço policial.
“Vou aceitar o reforço na minha segurança. É um policial muito bem preparado do ponto de vista físico e tático. Realmente eu temo pela minha segurança”, concluiu.
PC-AM apura entrada irregular de celular em unidade de custódia
A Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM) informou por meio de nota ao Portal Rios de Notícias que, tão logo tomou conhecimento da entrada irregular de aparelho celular em dependências de unidade de custódia, adotou imediatamente medidas administrativas para rigorosa apuração dos fatos. A instituição esclarece que foram realizadas inspeções internas no dia 02/05 e, posteriormente, vistoria acompanhada pelo Ministério Público no dia 04/05.
Após as verificações preliminares, foram identificados indícios de participação de um servidor, Enoque Galvão (irmão do custodiado) relacionados à facilitação do ingresso de terceiro não autorizado na unidade. O servidor responderá aos procedimentos administrativos disciplinares cabíveis junto à Corregedoria-Geral da PC-AM e foi afastado das suas funções operacionais.
Ressaltamos que em uma operação conjunta das Polícia Civil do Amazonas e de São Paulo, o custodiado foi transferido para capital paulista no último dia 07/05.
A Polícia Civil do Amazonas ainda reforçou que não compactua com qualquer conduta incompatível com os princípios da legalidade, ética e disciplina institucional, adotando todas as providências administrativas e legais cabíveis com o rigor necessário.
Relembre o caso
O treinador de jiu-jítsu Melqui Galvão foi preso no dia 28 de abril deste ano, em Manaus, em uma ação da Polícia Civil do Estado de São Paulo. Ele é investigado por suspeita de abusos sexuais contra alunas.
A prisão foi determinada pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, responsável por apurar relatos de ao menos três possíveis vítimas.
O caso ganhou repercussão após a denúncia de uma ex-aluna de 17 anos, que afirmou ter sofrido abusos sem consentimento durante uma competição no exterior. Atualmente, nos Estados Unidos, ela prestou depoimento acompanhada por familiares.
Durante as apurações, a polícia identificou outras duas possíveis vítimas em diferentes estados. Elas relataram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou que tinha 12 anos na época dos fatos.
Melqui é conhecido no meio esportivo por ser pai de Mica Galvão, um dos principais nomes da nova geração do jiu-jitsu brasileiro, campeão mundial e destaque em competições internacionais.
Ele também atua como policial civil em Manaus, lotado no setor de capacitação da instituição.
Em nota, a PC-AM informou que afastou o servidor de forma cautelar, iniciou apurações sobre o vínculo e possíveis irregularidades e encaminhou o caso à Corregedoria, que vai instaurar procedimento disciplinar.
A Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) anunciaram o banimento definitivo do professor de jiu-jítsu Melqui Galvão após a repercussão de denúncias de supostos abusos envolvendo alunas.
Em nota, as entidades afirmaram ter recebido o caso com “profunda indignação” e classificaram as condutas atribuídas ao treinador como incompatíveis com os princípios éticos e os valores defendidos pelo esporte.






