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Home Cidades

Ativista Thiago Ávila volta ao país após prisão em Israel

12 de maio de 2026
em Cidades
Tempo de leitura: 7 min
thiago_avila

Ativista Thiago Ávila chega ao Brasil (Foto: Letycia Treitero Kawada/Agência Brasil)

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Redação Rios

BRASIL – Sem bagagem, o ativista ambiental e de direitos humanos Thiago Ávila desembarcou no Aeroporto de Guarulhos, na noite desta terça-feira, 11/5, libertado de uma prisão ilegal em Israel, condenada pelo governo brasileiro. Ele era um dos sete brasileiros a bordo da Global Sumud Flotilla (GSF), frota de ajuda humanitária ao povo palestino.

Sua chegada era esperada para as 16h, mas Ávila ficou retido nas dependências da Polícia Federal, sob pretexto de responder um interrogatório, procedimento que não foi aplicado no retorno de outro integrante da flotilha, conforme disse Mandi Coelho.

Ao lembrar que essa não foi sua primeira detenção a mando de Israel, Ávila informou que 50 embarcações devem partir da Turquia, em breve. 

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“A flotilha é o exemplo mais pedagógico de que estamos tratando com um Estado genocida”, declarou, citando os assassinatos que vitimam, inclusive, crianças e mulheres, em grande número, e que crianças pequenas também têm sido encarceradas, “outra prova das transgressões praticadas por Israel”.

A Organização das Nações Unidas (ONU) já classificou a matança agravada por Israel, a partir de outubro de 2023, de “destruição e sofrimento de níveis sem precedentes”. 

“Tal violência tem como componentes a falta de acesso à moradia, alimentos, atendimento médico básico, água potável e ao convívio em comunidade”, diz o organismo internacional. 

Ávila viajava em um navio da GSF, quando foi levado à força por militares israelenses, acompanhado pelo palestino-espanhol Saif Abukeshek. 

Nesta terça-feira, ele disse que desviaram do caminho para Gaza para escapar de uma tempestade, motivo pelo qual estavam em Creta.

Os dois ativistas foram separados dos demais da flotilha, transferidos para a Grécia. O grupo brasileiro iniciou a viagem a Gaza a partir de Barcelona, em 12 de abril.

Atuante na causa há muitos anos, Mandi Coelho diz, com ironia, que “uma flotilha levando ajuda humanitária causa grande transtorno”, ao mesmo tempo que gestos de solidariedade a civis são proibidos e até mesmo criminalizados. 

“Parte da importância da flotilha é, justamente, escancarar a cumplicidade internacional, porque enquanto a gente atravessa o Mar Mediterrâneo, diversas embarcações levando insumos, matéria-prima para as armas de Israel, atravessam tranquilamente”, alerta.

Terror psicológico

Durante boa parte do confinamento, Ávila ficou vendado, sem saber se era noite ou dia, acorrentado por meio de quatro algemas e com movimentos bastante limitados pelo espaço da cela solitária. 

Ele confirmou os relatos que chegaram pelo movimento pró-Palestina, de que foi agredido fisicamente e chegou a desmaiar duas vezes.

Diariamente, testemunhava torturas contra palestinos e escutava dos militares israelenses que eles o poupavam “por uma decisão deles, porque eles tinham direito judicial de fazer isso”. 

“Diziam que era música, perguntavam se eu estava ouvindo a cantoria”, relatou, salientando que as torturas a que o sujeitaram, juntamente com Abukeshek, “não têm nem comparação” com as experiências dolorosas dos palestinos.

“Eles diziam diretamente que queriam me matar, me deixar 100 anos preso e que iriam se livrar de mim o quanto antes. Só que eles não conseguem pagar o custo político disso, porque, com os palestinos, com a campanha de desumanização, por conta da cumplicidade dos governos do mundo, eles acreditam que podem pagar o custo político de torturar [a população palestina]”.

Para que o mundo reconheça o tormento prolongado dos palestinos, Ávila defende que é preciso atribuir os nomes com clareza, apresentando o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente estadunidense, Donald Trump, como o que são de fato: criminosos de guerra. 

O primeiro, segundo ele, mata uma população inteira de fome, e o outro “é um pedófilo”, acrescenta, em referência ao escândalo de Jeffrey Epstein, que o envolve em tráfico sexual de meninas e mulheres, com uma rede internacional de contatos poderosos, da qual Trump participaria, como apontam investigações em curso. 

Netanyahu, conforme lembrou o militante brasileiro, já teve mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), International Court of Justice (ICJ), em inglês, nos Países Baixos, em novembro de 2024. 

O primeiro-ministro rebateu as acusações e até hoje descumpre a ordem judicial, fortalecendo a sensação de impunidade do direito internacional, como é o caso da Rússia.

“É muito importante que a gente diga sem medo o que essas pessoas são. São os grandes inimigos da paz, da perpetuação da vida neste planeta. E tantas pessoas ao redor do mundo atenderam ao chamado pela Palestina. Não deixar que Gaza seja esquecida. Hoje se completaram sete meses e um dia de um falso cessar-fogo”, disse Ávila, com um lembrete da Nakba. 

Em relatório recente, a ONU denuncia que a Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou 38 ataques a atendimentos de saúde na região da Cisjordânia, desde janeiro. Ao todo, quatro unidades e 33 ambulâncias foram atingidos.

Em dezembro de 2024, o pediatra Hussam Abu Safiya foi sequestrado pelas forças israelenses. O pediatra dirigia o Hospital Kamal Adwan, na época o último hospital em funcionamento no norte de Gaza. 

Agentes de Israel invadiram a unidade e o detiveram, juntamente com outros profissionais de saúde e pacientes, interrompendo o atendimento da comunidade. Ele estava em luto pela morte do filho, assassinado em um ataque aéreo, mas continuou em atividade, ciente da urgência de seu trabalho.

Os países que mais doaram ao fundo humanitário da Palestina ocupada, criado em 2007, são Finlândia (US$ 5,8 milhões), Bélgica (US$ 4,7 milhões), Irlanda (US$ 4,6 milhões), Reino Unido (US$ 4,2 milhões) e Suécia (US$ 3,7 milhões).

*Com informações da Agência Brasil

Tags: brasileiroGazaIsraelthiago ávila

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