Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No Dia do Trabalhador, em 1º de maio, os amazonenses foram surpreendidos com mais um reajuste no preço dos combustíveis. O aumento ocorre após outros dois reajustes consecutivos registrados no mês anterior, ampliando a preocupação de empresários, transportadores e consumidores em todo o Estado.
Em entrevista ao Portal Rios de Notícias, o presidente da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz), Iranir Bertolini, alertou para os impactos imediatos que os aumentos provocam na cadeia logística da região.
Segundo Bertolini, o setor de transporte sofre perdas quase instantaneamente após cada reajuste. “O aumento é anunciado à meia-noite e, minutos depois, nossos caminhões já abastecem com o novo preço. Mas a carga que está sendo transportada foi negociada com o valor antigo do combustível”, explicou.
O presidente da Fetramaz destaca que o prejuízo para os transportadores se agrava devido à demora na renegociação dos contratos com embarcadores e clientes. “Esse processo pode levar até 30 dias. Nesse intervalo, o transportador já está pagando mais caro pelo diesel para manter as operações funcionando”, afirmou.
O reflexo, segundo ele, não fica restrito às empresas de transporte. O aumento dos custos logísticos acaba atingindo toda a cadeia produtiva, chegando à indústria, ao comércio e, consequentemente, ao consumidor final.

“Infelizmente, os conflitos internacionais têm provocado enormes dificuldades para o setor, especialmente na Amazônia, que depende do transporte de mercadorias vindas do Sul e Sudeste do país”, ressaltou Bertolini.
Dependência do mercado internacional
O presidente da Fetramaz também chamou atenção para a dependência brasileira do mercado internacional de petróleo. De acordo com ele, apesar dos esforços do governo federal para conter os reajustes, há limites para segurar os preços dos combustíveis.
“A Petrobras também enfrenta dificuldades para manter os preços internos abaixo do mercado internacional. Quando há alta lá fora, o reflexo inevitavelmente chega ao Brasil”, observou.
Ribeirinhos sentem impacto direto
No Amazonas, onde rios são as principais vias de deslocamento, os reajustes afetam diretamente a população do interior. Comunidades ribeirinhas dependem diariamente de pequenas embarcações movidas a gasolina para transporte, trabalho e acesso a serviços essenciais.
“As pessoas nas comunidades utilizam motores movidos a combustível para praticamente tudo. Com os constantes aumentos, o custo do deslocamento sobe muito, enquanto a renda dessas famílias continua limitada. Isso pesa diretamente no bolso da população do interior do Amazonas”, explicou Bertolini.

TranspoAmazônia debate soluções para o setor
Diante dos desafios enfrentados pela logística regional, a próxima edição da TranspoAmazônia, prevista para acontecer este ano em Manaus, surge como uma chance estratégica para discutir soluções e fortalecer o setor.
O evento reunirá representantes do transporte rodoviário, aéreo, fluvial, cabotagem e construção naval, além de investidores e empresários ligados à cadeia logística da região Norte.
“Estamos preparando uma grande estrutura. A feira será um espaço importante para discutir soluções e novos negócios. Na Amazônia, a construção naval é vital, porque nossa realidade depende dos rios. Aqui, a navegação é essencial para a economia e para a integração regional”, destacou o presidente da Fetramaz.






