Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Uma moradora denuncia o abandono do poder público e cobra ações urgentes de infraestrutura, pavimentação e coleta de lixo na rua D. Marcos de Noronha, na Comunidade Nobre, bairro Santa Etelvina, zona Norte de Manaus.
Segundo Adila Júlia, 32 anos, a situação se arrasta há mais de uma década e se agravou durante o período chuvoso, quando o acesso à comunidade fica ainda mais difícil para moradores, veículos de aplicativo, ambulâncias e até crianças matriculadas em uma escola da região que ainda não entrou em funcionamento.
A moradora afirma que, ao longo dos anos, a população tentou denunciar o problema por diferentes canais, incluindo mensagens a autoridades municipais e publicações em redes sociais, mas, segundo ela, sem retorno efetivo.

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Promessas e impasse judicial
Adila relata que a comunidade já foi tema de reportagens e de promessas em períodos eleitorais, mas sem solução definitiva. Ela afirma que, em dias de chuva, o local fica praticamente isolado, com ruas tomadas por lama e buracos.
Em vídeo enviado ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, ela cita promessas feitas em gestões municipais anteriores, incluindo o ex-prefeito David Almeida e o então vice-prefeito Renato Júnior (Avante).
“Estamos há anos vivendo essa situação. Teve promessa de obras, teve reportagem, teve campanha. Diziam que a infraestrutura do bairro seria iniciada”, afirmou.
A moradora também relata que a comunidade chegou a enfrentar um processo de reintegração de posse, posteriormente arquivado, o que gerou expectativa de melhorias – que, segundo ela, não se concretizaram. “Achamos que iriam entrar, pavimentar, colocar lixeiras para o lixo não ficar na rua. Mas nada foi feito”, disse.

Adila afirma ainda que, após anúncios de intervenções, um homem que afirmou ser proprietário da área teria acionado a Justiça reivindicando a posse do terreno, o que teria resultado na suspensão das obras prometidas.
“Depois que prometeram as obras, apareceu um suposto dono da terra e tudo foi paralisado. Disseram que havia processo judicial. Só que esse processo já teria sido resolvido pela comunidade, e mesmo assim nada voltou a andar”, declarou.
Falta de estrutura e isolamento
Morando há quase 13 anos na comunidade, Adila afirma que nunca houve melhorias estruturais permanentes no local. Segundo ela, algumas vias são praticamente intransitáveis.
“Essa ainda é uma das melhores ruas, porque dá acesso à minha casa. Tem outras que não têm acesso nenhum. Não é só água escorrendo, é lama”, relatou.
Ela também destaca dificuldades diárias enfrentadas pelos moradores para sair de casa, principalmente em períodos de chuva intensa. “A gente sai todos os dias no meio da lama para trabalhar e volta do mesmo jeito. Quem tem moto ou carro acaba tendo prejuízo porque os veículos ficam danificados”, disse.
Escola pronta, mas fechada
Outro ponto de preocupação é o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Denival Leite de Oliveira Júnior, construído na comunidade, mas que segue sem funcionamento.

Segundo a moradora, a unidade está concluída, mas não foi inaugurada. “Tem uma escola pronta, de um quarteirão ao outro, com crianças já matriculadas, mas elas não estão estudando porque a escola nunca inaugura. As mães estão desesperadas porque os filhos estão quase no meio do ano sem aula”, afirmou.

Lixo e dificuldade em emergências
A coleta de lixo também é alvo de reclamações. Moradores relatam que os caminhões não conseguem entrar na comunidade, o que obriga o deslocamento até vias principais para descarte de resíduos.
“A gente paga luz, mas não tem o básico. Tem gente que precisa andar até a principal para jogar lixo onde o coletor passa. Idosos e crianças vivem no meio da lama e do lixo”, disse.

Em situações de emergência, a dificuldade de acesso agrava o problema. Segundo Adila, pacientes precisam ser levados até áreas asfaltadas para receber atendimento.
“Quando uma criança ou um idoso passa mal, precisa ser carregado até onde tem asfalto. Só quem entra lá entende a humilhação que a gente vive todos os dias”, desabafou.
Pedido de solução
A moradora afirma que decidiu tornar o caso público para buscar visibilidade e cobrança das autoridades. “A gente não está pedindo favor. Estamos cobrando um direito nosso. Só queremos dignidade e uma qualidade de vida melhor para quem mora ali”, concluiu.
Posicionamento
Em nota enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a Prefeitura de Manaus informa que obras de pavimentação e infraestrutura prevista para a Comunidade dos Nobres, localizada no bairro Santa Etelvina, estão temporariamente suspensas em cumprimento a uma decisão judicial.
De acordo com a gestão, a intervenção já iniciada e coordenada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) direcionaria serviços de asfaltamento e melhorias estruturais no local.
A gestão destaca que a suspensão não decorre de desistência ou abandono da área, mas do cumprimento das determinações legais impostas ao município e a gestão segue acompanhando o caso e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar na construção de uma solução que permita a retomada dos serviços de forma juridicamente segura.






