Jovem com câncer denuncia demora em exame essencial para nova cirurgia na Fcecon
Há três meses à espera de exames, a publicitária Tássia Camila da Silva Batista enfrenta angústia e exaustão na luta pela continuidade do tratamento contra o câncer
MANAUS (AM) – A publicitária Tássia Camila da Silva Batista, de 28 anos, vive uma rotina marcada pela expectativa, dor e incerteza. Após passar por uma cirurgia de histerectomia parcial, retirada de tumores e controle de uma hemorragia interna em agosto de 2025, ela agora aguarda a realização de um exame fundamental para dar continuidade ao tratamento contra o câncer, o PET-CT.
A nova cirurgia está prevista para ocorrer na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), localizada na zona Centro-Oeste de Manaus. No entanto, os exames preparatórios, inicialmente marcados para março deste ano, ainda não foram realizados.
Tássia Camila concluiu os ciclos de quimio e espera por nova cirurgia (Foto: Arquivo Pessoal)
“Estou com exames pendentes na FCECON. O PET-CT já está há dois meses sem sair. Já conversei várias vezes com a secretária do Dr. Gerson Mourão (Diretor-presidente da FCecon), porque preciso dos resultados para que o cirurgião possa me operar ou me liberar. Em março, estava tudo certo, mas agora não tenho nenhuma resposta. Isso me deixa muito assustada, principalmente pelo tempo que estou sem quimioterapia, pois devido a baixa imunidade não consegui realizar as duas sessões do ultimo ciclo”, relatou Tássia.
Segundo ela, durante todo o mês de março, manteve contato frequente com a FCecon, mas em abril foi informada de uma mudança no sistema de regulação.
“Disseram que eu seria colocada em outro sistema, o Sisreg, porque o atual demoraria muito. Então entrei novamente na fila pelo Sisreg para fazer o exame. Fico imaginando: se já estava autorizado anteriormente, será que o valor chegou a ser repassado para a clínica parceira sem que eu tivesse feito o exame? E agora podem repassar novamente sem que eu tenha realizado?”, questionou.
A paciente afirma, ainda, que recebeu confirmação da própria direção da Fundação, por meio da secretaria, de que faria o exame em março.
“Disseram que meu nome já estava na lista e que era só aguardar a chamada. Mas já estamos em maio e ainda não consegui fazer o exame. Informam apenas que a análise aparentemente foi recusada, mas sem qualquer orientação clara”, desabafou.
A importância do PET-CT
Para que a cirurgia possa ser realizada, Tássia precisa fazer o exame PET-CT, procedimento essencial para identificar possíveis áreas ativas da doença no organismo e avaliar a extensão do câncer.
“Esse exame mostra se a doença está localizada ou se atingiu outros órgãos, além de indicar como o corpo respondeu ao tratamento. Ele ajuda a identificar se ainda existem tumores ou células cancerígenas ativas e serve para orientar a cirurgia com mais precisão, além de indicar se será necessário continuar com quimioterapia ou radioterapia”, explicou.
Pacientes da Fcecon em Manaus vivem rotina de longas esperas (Foto: Arquivo Pessoal)
Tratamento interrompido
De acordo com Tássia, o plano médico previa quatro ciclos de quimioterapia do protocolo BEP, seguidos pela cirurgia devido à presença de metástase e possíveis órgãos comprometidos. Ela afirma ter concluído os quatro ciclos previstos, embora não tenha conseguido finalizar as duas últimas sessões do último ciclo por conta das complicações físicas.
“Meu corpo não estava mais suportando. Minha imunidade ficou muito baixa e os médicos recomendaram interromper essas últimas sessões”, contou. A nova cirurgia necessária, segundo a paciente, pode custar entre R$ 30 mil e R$ 60 mil na rede particular, valor inviável para a família.
“O sentimento é de exaustão”
Diante da demora, da burocracia e da falta de informações, Tássia diz estar emocionalmente esgotada.
“O sentimento é de exaustão. A gente acaba precisando procurar meios judiciais ou apoio jurídico para tentar garantir direitos básicos. E, muitas vezes, mesmo assim, seguimos sem respostas ou orientações claras, como está acontecendo comigo”, lamentou.
O Portal Rios de Notícias entrou em contato com a FCecon e a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para esclarecer a demora na realização do exame PET-CT da paciente Tássia Camila da Silva Batista, além de questionar sobre autorização do procedimento, mudanças no sistema de regulação, previsão do exame, fila de espera e protocolos de prioridade para pacientes oncológicos, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.