Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Maio Amarelo, movimento criado em 2011, busca conscientizar a população sobre a importância da segurança no trânsito. Em Manaus, no entanto, os dados acendem um alerta: segundo o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), houve um aumento de 31% no número de mortes nos três primeiros meses de 2026, totalizando 67 vítimas, um índice significativamente maior em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre as vítimas está João Miguel Magalhães de Oliveira, de apenas sete anos, atropelado no dia 15 de abril deste ano enquanto atravessava a faixa de pedestre em frente à Escola Municipal Mário Lago, no conjunto Oswaldo Frota, bairro Cidade Nova, zona Norte da capital.
Moradores da área denunciam a falta de sinalização adequada e o desrespeito às leis de trânsito. “O trânsito é muito perigoso nessa rua. Era para terem colocado placas indicando que aqui é área escolar, mas nada foi feito. Os veículos passam em alta velocidade, mesmo com placa indicando limite de 40 km/h, que ninguém respeita”, relatou o encarregado de obras Silvino Marques, de 70 anos.

O terapeuta Fábio Cavalcante, de 43 anos, pai de uma aluna da escola, afirma que a imprudência dos motoristas é uma das principais causas dos acidentes. Ele também critica a ausência de medidas após o ocorrido.
“A comunidade pede a instalação de quebra-molas e maior fiscalização. Até quando vamos esperar mais crianças morrerem para que algo seja feito?”, questiona.

A dona de casa Jennifer Cavalcante, de 37 anos, destaca que a situação se agrava nos horários de pico e, por isso, a população sente medo.
“O trânsito já é complicado e fica ainda pior. Muitos motoristas trafegam até na contramão em uma via de mão única. A gente vive com medo, porque a gente vê no trânsito motoqueiros e pessoas imprudentes fechando os outros”, disse.

Vias perigosas
De acordo com dados do IMMU os motociclistas são as principais vítimas no trânsito (51% do total), seguidos por pedestres (27%). As vias com mais ocorrências incluem a Torquato Tapajós e o Rodoanel. A zona Leste concentra 31% das mortes, enquanto as zonas Norte e Centro-Sul somam 46%. .
O motorista Everton Regis, de 50 anos, reforça a crítica à falta de fiscalização. “O trânsito em Manaus é desorganizado. Motoristas não respeitam pedestres, e falta presença de agentes de trânsito, principalmente em frente às escolas”, afirmou.

Diante do cenário, moradores fazem um apelo por mais responsabilidade e conscientização. “Motorista, ao ver uma faixa de pedestre, reduza a velocidade. Pense que pode ser um familiar seu atravessando. A mudança depende de todos”, destacou Fábio Cavalcante.

Para Silvino Marques, a solução passa pela educação no trânsito. “Os motoristas aprendem uma coisa na autoescola, mas fazem outra na prática. É preciso reforçar a educação, orientar a população e conscientizar também os pais sobre a importância de cuidar das crianças no trânsito”, concluiu.
O Portal Rios de Notícias entrou em contato com o IMMU e a prefeitura de Manaus a fim de saber quais medidas estão sendo tomadas em relação às denúncias apresentadas pela população, no entanto, ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.






