Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A pregação da pastora Helena Raquel, com orientações a mulheres evangélicas vítimas de violência doméstica, repercutiu amplamente nas redes sociais nos últimos dias. Com 1,7 milhão de seguidores, a líder religiosa publicou um trecho do discurso que já ultrapassa 14,8 milhões de visualizações.
Na publicação, Helena afirmou que “não existe unção que justifique abuso”. As declarações foram feitas no último sábado, 2/5,, durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões, em Camboriú (SC).
Durante a mensagem, a pastora fez um apelo direto às vítimas. “Pare de orar por ele hoje. Deus me trouxe aqui para usar minutos que muitos pregadores gostariam de ter para salvar a sua vida. Comece a orar por você”, disse, sendo aplaudida pelos fiéis.
Helena destacou que, por ter crescido em um lar cristão, reconhece que, em algumas igrejas, mulheres são orientadas a não expor situações de violência para evitar escândalos e proteger agressores. Ela também indicou canais de denúncia, como a Central de Atendimento à Mulher e o Disque 100.
A líder religiosa reforçou a importância de buscar ajuda imediata. “Tenha coragem para denunciar em uma delegacia, procure alguém de confiança e vá para um lugar seguro. Não acredite em pedidos de desculpa, porque quem agride pode matar”, alertou.
A repercussão nas redes foi majoritariamente positiva, com milhares de comentários de apoio. Internautas afirmaram que a mensagem pode ter salvado vidas e destacaram o papel de lideranças religiosas na proteção de fiéis.
Trajetória
Helena Raquel atua como pastora há mais de 30 anos e lidera a Assembleia de Deus Vida na Palavra, no Rio de Janeiro. É casada com o pastor Eleomar Dionel e mãe de uma filha.
Além da atuação religiosa, é autora de 13 livros, professora e mentora de mulheres. Também idealizou o projeto Pastoras do Brasil, voltado ao fortalecimento da liderança feminina. Entre suas obras estão Libertando a Alma, Crescendo com as Mulheres da Bíblia e Eleitas: a legitimidade e o valor do ministério feminino.
Em entrevista ao g1, a pastora afirmou que o tema da pregação não surgiu de um caso específico, mas de um direcionamento espiritual. “A proteção à criança e à mulher é um tema de grande importância e precisa ser ensinado e defendido”, disse.
Ela também relatou experiências pessoais com casos de violência que a impactaram, incluindo o episódio em que um homem infiltrado em uma igreja sequestrou e assassinou uma criança.
“Mesmo em ambientes de fé, o mal pode se infiltrar. É preciso reforçar critérios e ampliar o senso de proteção”, afirmou.
Ao final, Helena deixou um recado às vítimas de abuso, inclusive em contextos religiosos: “Ninguém deve se calar diante da violência. Denuncie, busque segurança e não se sinta rejeitado por Deus”.






