Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A presidente da Seção Sindical dos Docentes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Mônica Xavier, denunciou o acúmulo de perdas salariais superiores a 24%, a ausência de concursos públicos e o agravamento das condições de trabalho na instituição. A denúncia foi enviada ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS.
De acordo com Mônica Xavier, a principal reivindicação da categoria é o pagamento da data-base, direito garantido pela Constituição e pelo plano de cargos e salários dos servidores. Segundo ela, desde 2022, os professores estão sem qualquer reposição inflacionária.
“A data-base não é aumento real. É um direito. Quando ela não é cumprida, ocorre um rebaixamento salarial, um achatamento e uma desvalorização da carreira docente”, declarou.
A presidente do sindicato destacou que, diante da ausência de reajustes ao longo dos últimos anos, a categoria acumula perdas superiores a 24%, o que agrava a situação.
“Nós estamos lutando contra perdas. É a inflação que não foi reposta ao longo de 2022, 2023, 2024, 2025 e agora 2026”, reforçou.

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Falta de concursos
Além da questão salarial, Mônica Xavier apontou um cenário crítico relacionado à falta de concursos públicos, especialmente nos campi do interior do Amazonas. Segundo ela, há unidades operando com quadro reduzido de professores efetivos, o que compromete diretamente a qualidade do ensino.
“Existem cursos com apenas dois ou três professores concursados, enquanto o restante é formado por contratos temporários ou até professores voluntários”, afirmou.
A dirigente ressaltou que a presença de docentes voluntários limita o desenvolvimento acadêmico e impacta o tripé educacional da universidade, trazendo prejuízo também aos alunos.
“Esse professor não pode, por exemplo, captar bolsas ou participar de editais de fomento. Isso impacta diretamente o tripé da universidade, que é ensino, pesquisa e extensão”, explicou.
Como exemplo, Mônica citou a realidade do curso de História em Parintins, que, segundo ela, está há 13 anos sem concurso público para a contratação de novos professores.
“Estamos há 13 anos sem concurso público. É uma situação crítica. Professores se aposentam, pedem exoneração ou até falecem, e essas vagas não são repostas”, disse.
Sobrecarga de trabalho
Outro ponto destacado por Mônica foi a sobrecarga de trabalho e o adoecimento docente, agravados pela falta de profissionais e pela precarização das condições estruturais, principalmente nas unidades do interior.
“Isso gera um efeito em cadeia que compromete toda a universidade e a formação dos estudantes”, afirmou.
A categoria também reivindica a interiorização do plano de saúde, reajuste no auxílio-alimentação e no adicional de localidade. No entanto, segundo a presidente, o foco imediato da mobilização segue sendo a recomposição salarial e a realização de concursos públicos. Ela também criticou a ausência de diálogo com o governo estadual.
“É necessário que o novo governo rompa com esse ciclo de não ouvir as categorias. Estamos abertos ao diálogo e queremos negociar nossas demandas”, afirmou.
Novo governo
Mônica Xavier também mencionou que outras categorias tiveram a data-base concedida, enquanto os profissionais da educação seguem sem respostas efetivas.
“Os policiais têm direito, assim como os profissionais da saúde e da educação. Um estado se constrói com todas essas categorias”, declarou.
Sobre Roberto Cidade, que passa a atuar como governador do Amazonas após eleição suplementar, Mônica afirmou que o gestor precisa romper com o ciclo de exclusão da categoria dos planos do governo estadual.
“No dia 4 de maio, data da eleição do novo governador, o Sinteam também estava mobilizado, após a recusa do então governador Wilson Lima em dialogar com a categoria da educação, desde o ensino básico até o superior. Nesse sentido, é necessário romper esse ciclo”, disse.
Sindicato



O Sindicato dos Docentes da UEA (Sind-UEA) afirma que a mobilização marca a retomada da organização coletiva da categoria diante de um cenário prolongado de desvalorização. Segundo a entidade, desde 2022 há descumprimento sistemático de direitos.
“Esse cenário não é pontual e resulta de um padrão prolongado de desvalorização da carreira docente, que compromete a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão desenvolvidos na UEA e exige resposta imediata do poder público”, destacou.
A organização ressaltou ainda que a precarização é mais intensa nas unidades do interior e compromete o funcionamento da universidade. Segundo a entidade, a mobilização também representa um avanço na construção de unidade entre docentes da capital e do interior, além do fortalecimento do diálogo com estudantes.
A entidade aponta que a valorização docente não é uma pauta corporativa, mas uma condição essencial para garantir a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão na universidade pública.
“A categoria demonstrou disposição de luta. Agora, o desafio é transformar essa disposição em força organizada capaz de garantir direitos”, concluiu.
Sem resposta oficial
A equipe do Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com as assessorias da UEA e do Governo do Amazonas para comentar as denúncias, mas, até o momento, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação das instituições.






