Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Dois adolescentes, de 14 e 16 anos, ficaram presos por cerca de duas horas no elevador de uma passarela na Avenida Efigênio Salles, em Manaus, na madrugada do dia 21 de abril. O caso reacendeu um problema já conhecido pela população: a falta de manutenção nas estruturas públicas, que deveriam garantir segurança e acessibilidade, mas acabam gerando medo e insegurança.
Além das falhas nos elevadores, usuários das passarelas na capital amazonense relatam outros problemas recorrentes, como iluminação precária, ausência de policiamento e estruturas danificadas.

A babá Paula Regina Pimentel, que utiliza diariamente a passarela da avenida Efigênio Salles, na zona Centro-Sul, disse que evita o elevador por medo.
“Não uso porque já tenho experiência. Os elevadores sempre apresentam problemas. Conheço pessoas que já ficaram presas e relataram momentos de desespero. Só de ouvir esses relatos, eu já evito. Deve ser horrível ficar presa sem ter socorro. Dependendo da situação, pode até acontecer algo mais grave, uma pessoa vir a óbito”, contou.

O universitário Wendel Felipe também destacou a insegurança, principalmente no período da noite. Segundo ele, na passarela da avenida Darcy Vargas há falta de iluminação e presença de usuários de drogas.
“É uma questão de segurança. Circulam adolescentes, crianças, muitas mulheres, e depois das seis da tarde já fica muito escuro. Isso torna o uso da passarela inviável. Além disso, há pessoas que utilizam o espaço para consumo de drogas, o que aumenta o risco”, relatou.

Mesmo com a presença de um posto da Polícia Militar ao lado da passarela da Avenida Darcy Vargas, usuários afirmam que a segurança não é efetiva.
“Já aconteceram diversos casos, inclusive ataques a estudantes e mulheres. Precisamos de mais atenção aqui. Eu, particularmente, nunca vi policiamento atuando na passarela. Eles ficam mais na saída do shopping, do outro lado”, disse Wendel.
Já o promotor de vendas, Matheus Mady, chama atenção para a passarela do bairro Flores, localizada na zona Centro-Sul da capital, que também apresentam riscos.

“Perto da rodoviária e também próximo ao Carrefour, há estruturas danificadas que podem causar acidentes. Muitas pessoas evitam usar a passarela por falta de confiança e acabam se arriscando atravessando a via”, afirmou.
Ele também relembrou a situação da passarela da Torquato Tapajós, cuja obra está parada.
“O sinal demora muito para fechar e a passarela não chegou a facilitar a travessia. A obra está praticamente abandonada e sem previsão de conclusão”, criticou.

Para o motoboy William Nascimento, é necessário atenção especial para pessoas com deficiência que dependem diretamente dos elevadores para atravessar com segurança.
“Nem sabemos a quem recorrer. Em condomínios é fácil identificar a responsabilidade, mas na rua não. Para pessoas com deficiência é pior. Fica o alerta: é preciso cuidar melhor dessas estruturas. No meu caso, que tenho problema cardíaco, uma situação dessas fica presa no elevador da passarela pode ser ainda mais grave”, desabafou Paula Regina Pimentel.
Diante dos problemas, usuários fazem um apelo às autoridades municipais por melhorias urgentes.
A reportagem do Rios de Notícias solicitou posicionamento da Prefeitura de Manaus sobre as condições de manutenção, segurança e funcionamento dos elevadores e passarelas citados. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.






