Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva de dois policiais militares investigados pela morte do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, de 19 anos, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus. A decisão, que também determina a expedição imediata dos mandados de prisão, foi tomada após a análise de novas provas no caso.
Os policiais Belmiro Wellington Costa Xavier e Hudson Marcelo Vilela de Campos são investigados por homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e possível fraude processual. A medida foi assinada pelo juiz plantonista Alcides Carvalho Vieira Filho.
A prisão foi solicitada pela Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), que apresentou novos elementos considerados decisivos para o avanço das investigações.
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Inicialmente, o sargento Belmiro Wellington havia obtido liberdade provisória em audiência de custódia realizada na segunda-feira, 20. Na ocasião, os policiais afirmaram que o jovem teria fugido durante uma abordagem e que os disparos efetuados foram de advertência. Também alegaram que a vítima caiu da motocicleta durante a perseguição e que não perceberam que ele havia sido baleado.
No entanto, a análise de vídeos anexados ao processo levou o magistrado a rever a decisão. Segundo o juiz, as imagens revelam contradições entre os depoimentos dos policiais e a dinâmica da ocorrência.
De acordo com a decisão, o jovem já apresentava sinais de rendição e não oferecia resistência quando foi atingido. As imagens também indicam que ele teria sido agredido com chutes após cair no chão.
O magistrado destacou que as “imagens são nítidas” e evidenciam “excesso na abordagem, com uso desproporcional da força”, além de ressaltar que a conduta dos agentes “não condiz com a função de policiais militares”.
Outro ponto levantado é a suspeita de fraude processual. Conforme relatório do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), os policiais teriam omitido informações sobre os disparos realizados durante a ocorrência, possivelmente para ocultar o porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
A decisão também define a competência dos crimes: o homicídio qualificado contra civil será julgado pelo Tribunal do Júri, enquanto as investigações sobre porte ilegal de arma e fraude processual devem tramitar na Justiça Militar Estadual, por envolverem agentes em serviço.
Ao decretar a prisão preventiva, o juiz considerou presentes os requisitos legais para garantir a ordem pública e a adequada condução da instrução criminal.
Amigos e familiares realizarão uma manifestação nesta quarta-feira, 22, em frente ao Fórum Henoch Reis, pedindo justiça após a morte do jovem.
Relembre o caso
Segundo familiares, Carlos André foi abordado por policiais militares na madrugada do domingo, 19, enquanto trafegava de motocicleta pelo bairro Alvorada.
A mãe do jovem relatou que, ao chegar ao local, encontrou o filho caído ao lado da moto e foi informada inicialmente de que se tratava de um acidente de trânsito. A versão foi descartada após a perícia constatar que a vítima havia sido atingida por disparo de arma de fogo.
Imagens de câmeras de segurança, divulgadas nas redes sociais, mostram o momento em que o jovem é perseguido e cercado por policiais militares.
Após a repercussão do caso, os agentes foram encaminhados à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde prestaram depoimento.






