Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A roda-gigante instalada no Complexo Turístico da Ponta Negra, em Manaus, foi retirada parcialmente nesta segunda-feira, 13/4, antes do prazo previsto no contrato firmado entre a Prefeitura de Manaus e a empresa H. M. Diversões Ltda., responsável pelo Nenê Park.
O equipamento foi inaugurado em novembro de 2025, durante a gestão do ex-prefeito David Almeida (Avante). Segundo acordo com o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), a concessão previa autorização de “uso precário e oneroso”, com validade de seis meses, com permanência estimada até maio de 2026.

O termo indica que a utilização não era permanente e poderia ser revogada a qualquer momento pela administração pública.
Ainda conforme o Implurb, o uso do espaço público estava condicionado ao pagamento de encargos e ao cumprimento das normas estabelecidas pelo órgão municipal. A formalização do acordo ocorreu por meio do processo administrativo nº 2025/00796/00824/9/005800.
Apesar de o contrato ter sido firmado com a H. M. Diversões Ltda., a operação foi realizada por outra empresa, a J.P Diversões Ltda., registrada em 18 de novembro com o nome fantasia Wheel Manaus. Um dos sócios-administradores, Jean Marcos Praia Rocha, se manifestou nas redes sociais sobre a retirada do equipamento.
“Realizar o desafio de elevar o entretenimento da nossa cidade a um novo nível foram meses de trabalho intenso, desde o primeiro parafuso até cada sorriso que vi lá. Como todo projeto grande e inovador, não estivemos imunes a críticas, superamos dificuldades e, por vezes, tivemos que lidar com notícias falsas e ruídos de quem não conhece o esforço por trás da operação”, afirmou.
Polêmicas sobre a instalação
A instalação da roda-gigante gerou críticas por parte da população, principalmente pelo fato de a operação ter sido conduzida pela empresa J.P Diversões Ltda., de nome fantasia Wheel Manaus, criada cerca de 15 dias antes do início das atividades na capital.
O equipamento também apresentou falha poucos dias após a inauguração, quando travou e deixou dezenas de pessoas presas nas cabines, incluindo uma repórter do Portal Rios de Notícias. O episódio ocorreu cerca de 48 horas após a abertura ao público, em um momento de grande movimento, e causou desespero entre familiares e frequentadores. Vídeos registrados no local mostram passageiros pedindo socorro.
Diante das suspeitas de irregularidades, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) abriu um processo para apurar o caso. A investigação foi instaurada após representação do vereador Rodrigo Guedes (Progressistas), que aponta possíveis falhas na autorização de uso do espaço público, ausência de licitação, falta de transparência, riscos à segurança e eventual utilização de energia pública para fins privados.
Segundo o parlamentar, o processo que permitiu a operação da roda-gigante pode ter ocorrido sem a devida transparência e em desacordo com normas da administração pública.
A representação também levanta a hipótese de que o equipamento estaria ligado diretamente à rede elétrica da Praça da Ponta Negra, o que indicaria que o consumo de energia, considerado elevado, estaria sendo custeado com recursos públicos. Até o momento, segundo o vereador, não há comprovação de ressarcimento por parte da empresa.
A reportagem solicitou posicionamento da Prefeitura de Manaus sobre a retirada antecipada do equipamento, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para esclarecimentos.






