Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O governador Wilson Lima (União) confirmou, em coletiva, nesta segunda-feira, 6/4, que sua decisão de renunciar ao cargo para disputar o Senado só foi concretizada após o vice-governador, Tadeu de Souza (PP), também aceitar deixar o posto. A movimentação limpou o caminho para que o aliado direto de Wilson, Roberto Cidade (União), assuma o governo de forma interina.
O “Novo Cenário” de Wilson Lima
Wilson Lima explicou que a sua permanência no cargo era o plano original, mas a mudança de postura do vice trouxe a “segurança” necessária para a sucessão. De forma direta, o governador pontuou a competência técnica de seu vice, mas condicionou sua saída à estabilidade dos projetos atuais.
“O cenário que a gente tinha anteriormente era a permanência do Tadeu. No momento em que ele tomou a decisão de renunciar ao cargo, aí se apresentava um novo cenário e isso me dava a segurança e a tranquilidade necessária para que eu pudesse tomar essa decisão”, afirmou Wilson Lima.
O governador reforçou que, embora não tenha dúvidas da capacidade de Tadeu, a renúncia conjunta era necessária para a manutenção do grupo.
“Isso me deu o conforto de tomar a decisão de também renunciar para que eu pudesse continuar contribuindo ainda mais com o Estado”, completou.
A resistência e o convencimento de Tadeu
A decisão de Tadeu de Souza marca um recuo em sua postura anterior. Até o início de março, o vice-governador utilizava as redes sociais para rechaçar qualquer possibilidade de saída.
Em publicação feita no dia 4 de março, Tadeu afirmou que “Não existe a possibilidade de eu renunciar ao cargo de vice-governador nem de disputar qualquer eleição que exija desincompatibilização”, declarou na época.
O convencimento do vice foi o último obstáculo removido para que o grupo de Wilson Lima consolidasse a estratégia sucessória.
O fantasma da traição e a sombra de David Almeida
Apesar dos elogios públicos à competência técnica de Tadeu, os bastidores fervem com outra narrativa. Interlocutores do governo apontam que Wilson Lima temia uma “debandada” de aliados e até uma possível traição política caso Tadeu assumisse o comando do Estado.
O maior receio do grupo era a antiga proximidade entre Tadeu de Souza e o ex-prefeito David Almeida (Avante). Havia o temor de que Tadeu utilizasse a máquina pública para beneficiar a pré-candidatura de David ao governo, prejudicando os planos de Wilson Lima para o Senado e para a manutenção de seu arco de alianças.
Com a renúncia de ambos, o governo cai nas mãos de Roberto Cidade, garantindo que a estrutura estadual permaneça sob controle direto do núcleo duro do União Brasil.






