Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Professores e pedagogos da rede estadual de ensino foram novamente convocados pela Asprom Sindical para participar de um ato público em defesa do cumprimento da data-base e da valorização do magistério. A mobilização ocorreu na sede do Governo do Amazonas, no bairro Compensa, zona Oeste de Manaus, nesta quarta-feira, 1º/3.
O ato foi classificado como uma “paralisação de emergência”, realizada nos três turnos. Entre as principais reivindicações estão o cumprimento da data-base de 2026, o pagamento de reajustes referentes a anos anteriores – que, segundo o sindicato, não foram concedidos – e a adoção de medidas que valorizem os professores da rede estadual.
O presidente da Asprom, Lambert Mello, destacou que o movimento ocorre em meio a críticas à gestão do governador Wilson Lima (União Brasil) e à condução da Secretaria de Estado de Educação. “O governador Wilson Lima e sua secretária ignoram a existência dos professores”, afirmou.
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Insatisfação
Segundo o dirigente, os educadores estão insatisfeitos tanto com os salários quanto com a forma como vêm sendo tratados pelo governo estadual. Entre as principais queixas está o não pagamento da data-base referente a 2023, enquanto os reajustes de 2024 e 2025 teriam sido quitados.
A categoria também aponta a existência de pendências acumuladas de anos anteriores, o que impacta diretamente na recomposição salarial. “Infelizmente, no decorrer do governo Wilson Lima, o professor tem sido extremamente desvalorizado. Nós estamos tomando o remédio certo na dose errada”, declarou.
De acordo com Lambert, apenas os valores pendentes da data-base de 2023, somados a resíduos de reajustes anteriores não pagos integralmente, já ultrapassariam 8%.
Considerando a inflação projetada para 2026, esse percentual poderia chegar a cerca de 12%, o que reforça a reivindicação por recomposição salarial. Em assembleia, os trabalhadores deliberaram pela luta por um reajuste real de 5%.
“É por isso que estamos nas ruas de Manaus realizando este protesto, em busca da abertura de negociação da nossa campanha salarial e do pagamento do reajuste deste ano”, ressaltou.
Questões salariais
Além das questões salariais, os professores denunciam a precariedade nas condições de trabalho nas escolas públicas. A falta de materiais básicos, como papel para atividades, a ausência de equipamentos – como computadores e projetores – e a infraestrutura inadequada são apontadas como dificuldades recorrentes no cotidiano escolar.
“Nós buscamos fazer o nosso melhor, mas muitas vezes tiramos do próprio bolso aquilo que a escola não tem para oferecer. Chegou a um ponto em que muitos de nós já não têm mais condições, porque o salário está achatado”, relatou.
Segundo Lambert, o governo do estado ignora a atuação do sindicato e mantém uma postura considerada “autoritária”, tanto na Secretaria de Educação quanto no Executivo estadual. Ele afirma ainda que não há diálogo com os professores.
“É um governo que age de forma unilateral em suas decisões, o que acaba gerando prejuízos não apenas aos servidores públicos, mas à população como um todo”, concluiu.
Confronto com a polícia
Os professores foram impedidos de entrar na sede do governo pela Polícia Militar do Amazonas (PM-AM).

De acordo com o perfil Unidade Popular – AM, o governo estadual teria acionado a força tática da PM-AM para conter os manifestantes e impedir a entrada dos profissionais de educação no local.
“Os professores estão realizando um ato em frente à sede e já decretaram estado de greve até que o governo pague o que deve à categoria”, informou a publicação.
Ainda segundo Lambert Mello, os manifestantes tentavam acessar o prédio para verificar o andamento de um ofício encaminhado à administração estadual, quando foram barrados pelas autoridades policiais.
“Estamos sendo impedidos de entrar pela segurança do Palácio do Governo. Eles tratam os professores como se fossem uma ameaça”, disse.
Sem resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Polícia Militar do Amazonas e com o Governo do Estado para solicitar posicionamento, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.






