Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A conselheira de cultura de Manaus, Lorén Luniere, utilizou suas redes sociais nesta terça-feira, 31/3, para denunciar o que classifica como “desmonte institucional” do Conselho Municipal de Cultura (Concultura).
Segundo ela, a falta de orçamento, o silenciamento da sociedade e a ausência de transparência têm comprometido a execução de políticas públicas culturais no município.
“Como é que a gente tem um plano municipal de cultura se não tem orçamento para isso?”, questiona Lorén em um vídeo divulgado anteriormente, ressaltando que o Plano Municipal de Cultura tem sido tratado como “letra morta”. “É lei e precisa ser cumprida. Como existe um plano sem orçamento?”, afirmou.
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Avanços e retrocessos
Eleita em 2024, Lorén destaca que, no primeiro ano de atuação, houve avanços significativos, como a ampliação da participação de artistas em eventos culturais e a retomada de atividades como teatro e cinema. “Conseguimos trazer mais artistas para o Sou Manaus, ampliar palcos e fortalecer a cena cultural”, comentou.
No entanto, a partir de 2025, a conselheira relata que a situação mudou drasticamente. Segundo ela, a nova gestão transformou o conselho em um espaço “engessado”, ignorando representantes da sociedade civil. “Nossos requerimentos, ofícios e até mensagens foram simplesmente desconsiderados. Não houve respeito institucional ao nosso papel”, afirmou.
Apesar das tentativas de diálogo, Lorén afirma que não houve retorno. “Protocolamos pedidos, solicitamos reuniões extraordinárias, cobramos atas que não são publicadas há quase um ano. Tudo foi documentado, mas sem resposta”, relatou.
Denúncias formais e impacto na cultura
Com apoio do Observatório de Políticas Públicas do Amazonas (OPCAM), as denúncias foram encaminhadas a órgãos de controle, incluindo o Ministério da Cultura e o Ministério Público Federal e Estadual. A conselheira questiona a falta de transparência, o uso excessivo de contratações por inexigibilidade e a ausência de deliberação sobre recursos federais.
Um dos pontos mais críticos envolve a execução de verbas da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que, segundo Lorén, não foi discutida nem aprovada pelo pleno do conselho, como prevê a legislação. “Os repasses não foram debatidos nem aprovados pelo pleno do conselho, como deveriam”, destacou.
Lorén Luniere afirmou ainda que pretende buscar outros espaços de atuação onde possa ser ouvida. “A cultura sempre foi tratada como caridade, quando na verdade é trabalho (…) quero ocupar um lugar onde minha voz tenha peso de verdade. Artistas não precisam de um conselho de fachada”, concluiu.
Posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e com o Conselho Municipal de Cultura (Concultura), mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação dos órgãos citados.






