Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A proximidade do encerramento da janela partidária, em 4 de abril, e a indefinição das alianças e candidatura para o Governo do Estado mantêm o cenário político em Manaus sob forte tensão.
Na Câmara Municipal (CMM), o clima entre parlamentares de siglas maiores, como União Brasil e MDB, é de cautela. Apesar das movimentações externas, as bancadas ainda não receberam orientações para romper com a base do prefeito e pré-candidato ao governo David Almeida (Avante).
União Brasil: “Muita coisa vai mudar”
O vereador Marco Castilhos (União Brasil) afirmou nesta segunda-feira, 23/3, que o partido atravessa um período de intensas reuniões e que o desfecho das chapas majoritárias permanece em aberto.
Segundo o parlamentar, embora Wilson Lima tenha sinalizado permanência no cargo, a composição da chapa ainda pode sofrer alterações. Estão em jogo a decisão final sobre a candidatura do governador ao Senado e o papel de Tadeu de Souza, que se coloca como pré-candidato à sucessão estadual.
“Dentro do partido, até o dia 4, muita coisa vai mudar. Estamos aguardando esse desfecho, até porque estão ocorrendo muitas reuniões e encontros. Estamos nessa fase de decisão para o que for melhor para o nosso Estado”, declarou Castilhos.
O parlamentar reforçou que, internamente na CMM, não há ordens para migrar para a oposição.
MDB aguarda decisão de Braga
Seguindo o mesmo tom de espera, o vereador Mitoso (MDB) recorreu a uma clássica metáfora política para descrever o momento atual.
“A política é que nem nuvem: cada momento tem uma formação e eu estou esperando. Logicamente que eu tenho um líder, que é o senador Eduardo Braga. Ele vai, no momento correto e certo, orientar a base do MDB aqui na Casa”, afirmou, referindo-se à dúvida sobre o apoio da sigla a David Almeida ou Omar Aziz (PSD) para o governo.
Mitoso, que é vice-líder do prefeito David Almeida na Casa, destacou a liderança do senador Eduardo Braga na condução do processo, mas garantiu que a postura na Câmara segue inalterada.
“Sou vice-líder do prefeito e continuo. Não houve nenhuma orientação do MDB para nós. A definição real só virá após as convenções”, explicou Mitoso.
O fator convenções
O ponto central da instabilidade reside na diferença entre os prazos. Enquanto a janela partidária e a descompatibilização termina em abril, as definições oficiais de apoio só se consolidam nas convenções partidárias (entre julho e agosto).
Essa diferença permite que os vereadores mantenham o apoio à gestão municipal enquanto as articulações do cenário estadual, movidas por nomes como Eduardo Braga e Wilson Lima, terminam de se alinhar apenas as vésperas da eleição.






