Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Dia do Artesão, celebrado nesta quinta-feira, 19/3, é uma data dedicada a reconhecer o trabalho de pessoas que transformam saberes tradicionais em arte, preservando histórias, identidades e culturas.
Peças como biojoias, grafismos e artefatos produzidos com sementes e fibras naturais expressam a relação direta com a natureza e a ancestralidade, mantendo viva uma tradição transmitida há milhares de anos.
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, Elcione de Souza, artesã há 25 anos, destaca que o interesse pela área começou muito cedo por necessidade financeira, mas que acabou se encontrando na profissão.
“Hoje eu vivo do artesanato, eu digo muito que não nasci artesã, eu me tornei. E sou muito feliz vivendo do meu trabalho. Esse interesse nessa área foi pela necessidade de ganhar dinheiro, mas hoje acredito que o nosso trabalho é muito mais reconhecido.”
Elcione de Souza, artesã

A artesã, artista plástica e ativista cultural Rosa dos Anjos explica que, nos últimos anos, observou um aumento na procura pelos produtos, principalmente por turistas, mas também pelos próprios amazonenses.
“Nós tivemos um crescimento do turismo, tanto brasileiro quanto internacional, por valorizar nossas coisas, mas também do público local. Desde depois do Covid, a procura aumentou bastante, gerando mais oportunidades para as pessoas e artistas. Os materiais e as matérias-primas são da nossa região, todos da nossa Amazônia” explica Rosa.

Os produtos artesanais ganharam ainda mais visibilidade após Isabelle Nogueira e Marciele Albuquerque, as cunhã-porangas dos bois Garantido e Caprichoso, respectivamente, utilizarem acessórios indígenas no Big Brother Brasil (BBB), valorizando a cultura amazônica e o artesanato local.
“A gente observa muita procura, é uma referência elas usando sim. Os materiais que elas utilizam são, em grande parte, daqui da região, como jarinas, paxiúba, os caroços do açaí, o morototó, a escama, as penas e muitas sementes” afirma Elcione.


Rosa dos Anjos reforça a evolução do setor e a valorização do trabalho artesanal.
“Quando eu comecei a trabalhar como artesã, eu era muitas vezes explorada. Hoje, as pessoas que chegam aqui e querem também comercializar seu produto são pagas pelo valor que ele realmente merece. A questão fundamental do artesanato hoje é a questão da sustentabilidade” conclui Rosa.

Mais do que produtos, o artesanato da Amazônia preserva histórias, gera oportunidades e valoriza talentos locais.






