Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A campanha Março Lilás destaca a importância de hábitos saudáveis, vacinação e exames preventivos para reduzir os casos de HPV e câncer de colo do útero no Amazonas, onde a doença ainda apresenta alta incidência.
Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o estado deve registrar cerca de 620 novos casos de câncer de colo do útero por ano entre 2026 e 2028. O câncer cervical é o mais prevalente entre mulheres na região Norte.
Dados da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon) apontam que, em 2025, o câncer de colo do útero contabilizou 610 casos no estado, ficando à frente do câncer de mama e do câncer de próstata. No triênio 2023-2025, cerca de 15 mil novos casos de câncer foram registrados no Amazonas, segundo o INCA.
O HPV (Papilomavírus Humano) segue como uma das principais preocupações de saúde pública no estado, principalmente devido ao diagnóstico tardio e ao acesso limitado a serviços de rastreio em algumas regiões, o que aumenta o risco de complicações associadas à doença.
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Prevenção no dia a dia
Para a ginecologista obstetra Janaína Góes, medidas simples no cotidiano podem fazer grande diferença na prevenção: higiene íntima adequada, uso de preservativos e hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, sono regular e controle do estresse.
“Evitar produtos agressivos ou duchas vaginais, relações sexuais sem proteção e tabagismo ajuda a reduzir a persistência da infecção. O uso do preservativo continua essencial, mesmo para quem já foi vacinado, pois a vacina não cobre todos os tipos de HPV”, explica.

A vacinação protege contra os tipos de HPV mais ligados ao câncer de colo do útero, mas não substitui os cuidados diários e o acompanhamento médico. “O uso combinado de preservativo e vacinação oferece maior proteção”, reforça a especialista.
Exames preventivos
O Papanicolau é o principal exame de rastreio. Mulheres de 25 a 64 anos devem realizá-lo a cada três anos, após dois exames consecutivos normais com intervalo de um ano. Se houver resultado positivo para HPV de alto risco, o acompanhamento deve ser mais frequente e individualizado.
“Consultas regulares com ginecologistas permitem interpretar os resultados e planejar um acompanhamento personalizado, reduzindo o risco de lesões precursoras do câncer”, destaca Janaína Góes.
Vacinação e conscientização
A ginecologista obstetra Lucilia Rocha lembra que a vacinação ainda é a principal aliada na prevenção do HPV, principalmente quando realizada antes do contato com o vírus.
“Ela protege contra os tipos de HPV mais ligados ao câncer cervical, além de reduzir o risco de câncer de ânus, pênis e orofaringe. Quanto mais precoce a vacinação, maior a proteção”, afirma.

Lucilia alerta que a infecção por HPV nem sempre causa sintomas, tornando os exames preventivos indispensáveis. Sinais de alerta podem incluir sangramento fora do período menstrual, sangramento após relação, dor pélvica ou corrimento persistente.
“O câncer de colo do útero ainda é um desafio de saúde pública no Amazonas. A prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso à informação são fundamentais para proteger mulheres de todas as idades”, conclui.






