Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A noite deste domingo, 15/3, pode marcar um novo capítulo para o cinema brasileiro. Indicado em quatro categorias do Oscar 2026, o filme O Agente Secreto chega à premiação cercado de expectativas e com chances de conquistar estatuetas.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, o longa disputa as categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Elenco e Melhor Ator, para Wagner Moura.
A cerimônia ocorre no Dolby Theatre, em Los Angeles, com início previsto para 20h (horário de Brasília). No Brasil, a premiação terá transmissão pela TV Globo, TNT e pela plataforma de streaming Max.
O desempenho já é considerado histórico. O filme igualou o recorde de indicações de Cidade de Deus (2002), dirigido por Fernando Meirelles, que também recebeu quatro indicações ao Oscar.
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Categoria mais favorável
Para o crítico de cinema Jonas Coelho, ouvido pelo Portal RIOS DE NOTÍCIAS, o Brasil chega novamente à maior premiação do cinema mundial em um momento positivo.
“As expectativas são as melhores possíveis. O Agente Secreto já é, por si só, um acontecimento importante para o cinema brasileiro. Depois da vitória de Ainda Estou Aqui no ano passado, o país chega ao Oscar novamente com chances reais, principalmente em Melhor Filme Internacional”, analisa.

Segundo ele, ao longo da temporada de premiações o filme Valor Sentimental chegou a ser apontado como um adversário forte, mas perdeu força nas últimas semanas.
“O Oscar costuma reservar surpresas e sempre existe a possibilidade de o Brasil sair sem estatuetas nas quatro categorias. Ainda assim, o momento do filme e o enorme engajamento do público brasileiro nas redes sociais ajudam a criar um clima bastante otimista em torno de O Agente Secreto”, afirma.
Wagner Moura na disputa
Na categoria de Melhor Ator, Wagner Moura também aparece como um nome competitivo na disputa. Durante boa parte da corrida ao Oscar, Timothée Chalamet era apontado como favorito por sua atuação em Marty Supreme.

No entanto, polêmicas envolvendo o ator teriam enfraquecido sua campanha na reta final. “Esse tipo de turbulência na reta final lembra situações recentes de temporadas de premiação, como a que envolveu Karla Sofía Gascón durante a campanha de Emilia Pérez”, compara o crítico.
Ainda assim, Jonas aponta que Michael B. Jordan, pelo filme Pecadores, chega à noite como um dos nomes mais fortes da categoria.
“Mas a disputa ainda parece relativamente aberta, e uma surpresa com Wagner Moura não seria impossível”, avalia.
Outras categorias
Nas demais categorias, as chances brasileiras são consideradas menores. Em Melhor Elenco, O Agente Secreto enfrenta concorrentes fortes, enquanto em Melhor Filme a indicação é vista mais como reconhecimento ao impacto do longa ao longo da temporada.
Além disso, o Brasil também aparece no Oscar deste ano na categoria Melhor Fotografia, com Adolpho Veloso pelo filme Sonhos de Trem.
Um possível feito histórico
Para Jonas Coelho, uma vitória brasileira nesta edição teria um significado especial para o cinema nacional. “Se a vitória vier, o impacto seria enorme. Um bicampeonato consecutivo em Filme Internacional é algo raro na história do Oscar”.
Um dos casos mais conhecidos ocorreu com o diretor sueco Ingmar Bergman, que venceu em anos seguidos com A Fonte da Donzela (1960) e Através de um Espelho (1961).
“Se o Brasil alcançasse algo nesse nível, seria um resultado realmente impressionante para o nosso cinema”, conclui Jonas.






