Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da advogada Adriana Almeida Lima, investigada e presa na Operação Erga Omnes, que apura a atuação do chamado “núcleo político” de uma facção criminosa no Amazonas. A decisão foi assinada na terça-feira , 12/3, pelo ministro Alexandre de Moraes.
A defesa solicitou a revogação da prisão preventiva da advogada, suspeita de integrar a facção Comando Vermelho e de envolvimento em diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional e participação em organização criminosa.
Motivos da prisão
De acordo com as investigações, durante a operação foram apreendidos 523 tabletes de skunk e sete fuzis de uso restrito, além de elementos como dados telemáticos e registros de movimentações financeiras consideradas suspeitas, que ultrapassariam R$ 70 milhões.
As autoridades também apontam indícios de infiltração da organização em estruturas do Estado para obtenção de informações sigilosas.
Decisão do STF
Ao analisar o pedido, o ministro Alexandre de Moraes não entrou no mérito da solicitação de liberdade. Ele entendeu que o STF não poderia julgar o caso neste momento, pois o habeas corpus questionava uma decisão individual do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Herman Benjamin, sem que houvesse análise completa da questão pela própria corte.
A decisão segue o entendimento da Súmula 691 do STF, que impede o tribunal de avaliar habeas corpus contra decisões monocráticas de tribunais superiores, salvo em situações excepcionais (o que, segundo o ministro, não se aplica ao caso).
Com isso, o pedido foi indeferido e a advogada permanece presa preventivamente enquanto as investigações continuam.
Quem é a advogada presa?
Doutora e mestre em Direito, Adriana Almeida Lima atuava como professora na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), onde integrou comissões estratégicas e coordenou o Núcleo de Prática Jurídica.
Segundo investigadores, ela seria peça-chave em movimentações milionárias ligadas ao grupo criminoso, usando sua posição acadêmica e rede de contatos (ampliada também por atuação na Assembleia Legislativa do Amazonas) como “camuflagem social”.






