Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O aumento da sensação de insegurança no cotidiano tem levado cada vez mais mulheres a buscarem aulas de defesa pessoal no país e também no Amazonas. Mais do que aprender golpes ou técnicas específicas, a procura reflete um movimento ligado à autonomia, à prevenção da violência e ao fortalecimento emocional.
No Brasil, os casos de feminicídio bateram recorde em 2025. Foram 1.470 registros de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. No Amazonas, foram contabilizados 20 casos. Os dados oficiais apontam que, no ano passado, quatro mulheres foram mortas por dia no país.
Busca por proteção e autonomia
Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, a coordenadora do Formando Campeões do Pelci e professora faixa preta de jiu-jitsu, Waleska Castro, afirma que o medo de sofrer agressões ou situações de assédio está entre os principais fatores que impulsionam esse interesse.
“Nós acreditamos que a quantidade de mulheres que têm procurado aqui realmente mostra que elas querem viver, querem sair dessa situação de perigo, estão pedindo socorro. Então você, mulher que está na sua casa, está com ansiedade ou depressão e acha que isso aqui não é para você, esse é o melhor lugar. Venha você e sua filha para aprender a se defender”, disse ela.

A professora ressalta que a prática vai além da preparação para eventuais confrontos. As aulas também impactam diretamente a relação das alunas com o próprio corpo e com a autoconfiança.
“Nosso curso de defesa pessoal feminina não é só sobre técnicas. Começamos com atividades de destravamento e dinâmicas para criar amizade entre as participantes, além de rodas de conversa. É um curso diferenciado, que também trabalha a confiança e o acolhimento. Muitas mulheres dizem que voltam a sorrir e a se sentir mais valorizadas no grupo”, afirmou Waleska.
Benefícios físicos e emocionais
Já a professora faixa preta de jiu-jitsu, Lívia Ellen, destaca que, além do aprendizado de técnicas eficazes para lidar com situações de risco, a modalidade também contribui para melhorias na condição física e no bem-estar mental.
“Principalmente na postura. Quando começamos a praticar uma arte marcial, a autoconfiança muda totalmente. Muda o jeito de andar, de falar e de se posicionar. A gente passa a ter mais segurança para ir aos lugares e confiança de que sabe se defender”, explica ela.

Lívia Ellen, professora faixa preta de jiu-jitsu (Foto: Luiz André Nascimento/Rios de Notícias)
A aluna Pâmela Passos conta que começou a praticar defesa pessoal em 2023, após sofrer um acidente, e desde então percebeu mudanças positivas na saúde e no bem-estar. Segundo ela, os treinos ajudaram tanto na parte física quanto mental, trazendo mais disposição no dia a dia.
“Eu sofri um acidente há alguns anos e comecei por causa da saúde e do peso. As aulas vêm me ajudando muito, não só fisicamente, mas mentalmente também. Hoje eu acordo mais disposta”, disse Pâmela Passos.

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Como participar das aulas
As aulas de defesa pessoal feminina são realizadas gratuitamente pela Secretaria de Estado do Desporto e Lazer do Amazonas (Sedel), na Vila Olímpica de Manaus. A iniciativa faz parte da programação fixa do projeto Vila Aberta Para Todos.
Ao longo das edições, o curso já atendeu mais de 4 mil mulheres e foi realizado em 11 bairros da capital. No interior do estado, a ação também chegou aos municípios de Parintins e Maués.
Mulheres interessadas em participar podem buscar mais informações e realizar a matrícula pelo WhatsApp: (92) 98532-4804. A iniciativa busca incentivar a prática esportiva, além de promover segurança, saúde e bem-estar para o público feminino.






