Caio Silva – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Comemorado em 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é um momento de reconhecimento às conquistas femininas e de reflexão sobre seu papel estratégico na sociedade e no mercado de trabalho.
Nas últimas décadas, mulheres passaram de minoria a protagonistas em diversos setores, assumindo posições de liderança, gestão e inovação.
Em Manaus, a maior parte das contratações recentes – 1.134 vagas segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – foi ocupada por mulheres (717), mostrando o crescimento da presença feminina no mercado local.
O dia também destaca a importância de ampliar oportunidades, combater desigualdades e valorizar a contribuição das mulheres no desenvolvimento social, econômico e institucional.
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Rotina no Distrito Industrial
Paula Braz, engenheira de produção, e Damarisney Almeida, auxiliar de qualidade e estudante de Jornalismo, relatam a rotina intensa no Distrito Industrial e como a presença feminina em cargos estratégicos influencia a cultura e os resultados das empresas.
“A liderança feminina tende a estimular respeito, diálogo e políticas contra assédio e desigualdade. Esse clima organizacional reduz conflitos, faltas e rotatividade, fortalecendo o comprometimento da equipe”, diz Damarisney.



Ela acrescenta que empresas podem ajudar mulheres a equilibrar carreira e vida pessoal com horários definidos e evitando excesso de horas extras.
Paula Braz, com mais de 10 anos de experiência em engenharia de processos e qualidade, afirma que o conhecimento é uma ferramenta de transformação.
“Equilibrar carreira e vida pessoal não pode ser uma ‘habilidade feminina’. É uma responsabilidade da empresa. Com condições justas, mulheres não precisam escolher entre crescer profissionalmente e ter uma vida pessoal plena”, ressalta.
Mulher negra e amazônida
Vanessa Meireles, 37, doutora em sustentabilidade pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pesquisadora em um instituto de Inovação e Desenvolvimento em Manaus, afirma que suas conquistas vieram de oportunidades encontradas em cada ambiente que atuou.


“Sou mulher negra, amazônida, nascida em Manaus. Estudei em escolas e universidades públicas, fiz mestrado e doutorado. Mesmo com avanços, muitos ambientes ainda não são preparados para receber mulheres”, diz. Ela alerta que a baixa representação feminina em cargos de poder não se deve à falta de capacidade, mas à estrutura desses espaços.
Igualdade ainda é desafio
Julia Soutello, psicóloga e produtora cultural, afirma que houve avanços significativos, mas que a igualdade plena ainda não existe. “Não basta oferecer oportunidade, é preciso garantir condições justas de crescimento e permanência. Esse movimento exige consciência coletiva”, afirma.


Ela defende que empresas invistam em cultura organizacional baseada em equidade, com programas de mentoria feminina e divisão equilibrada das responsabilidades parentais. “Competência, empatia, inteligência emocional e visão estratégica são forças contemporâneas que muitas mulheres já demonstram com excelência”, complementa.
Independência financeira e representatividade
Para Alessandrine Silva, advogada de Direitos Humanos, equidade salarial e representatividade política são fundamentais para a autonomia feminina. “Permite que mulheres não precisem aceitar violência em troca de sustento. Representatividade política garante que as mulheres possam pensar políticas a partir de suas próprias necessidades e sonhos”, afirma.

Ela ainda relaciona a luta contra o feminicídio à defesa de direitos humanos: “Quando se fala em direitos das mulheres, é fundamental garantir o direito à vida. Mulheres estão lutando coletivamente para isso”.
Desigualdade no mercado de trabalho
Segundo o estudo Estatísticas de Gênero (IBGE, 2024), mulheres representam pouco mais de 50% da força de trabalho, enquanto homens estão acima de 70%.
O estudo também aponta que mulheres dedicam quase o dobro do tempo aos cuidados domésticos e pessoais em comparação aos homens, evidenciando a sobrecarga histórica que ainda enfrentam.






