MANAUS (AM) – Uma mulher identificada como Bianca Costa denunciou, nas redes sociais, falhas no atendimento recebido na Instituto da Mulher Dona Lindu que, segundo ela, resultaram na morte de sua filha, de seis meses de gestação.
Após o parto, Bianca precisou passar por nova cirurgia ao ser diagnosticada com infecção bacteriana grave e necrose abdominal. O caso ocorreu em novembro, mas ganhou repercussão nesta terça-feira, 3/3, após Bianca decidir tornar pública a experiência.
Segundo a estudante, os primeiros sinais de complicação surgiram quando ela começou a perder líquido e foi informada da presença de mecônio – substância que pode indicar sofrimento fetal.
“Disse que precisávamos fazer a cesárea para dar uma chance de sobrevivência. Eu já sabia que minha barriga não era um lugar saudável para minha filha estar”, relatou Bianca.
Apesar da indicação de cesariana de emergência por volta das 8h da manhã, a cirurgia só foi realizada às 22h30, segundo Bianca, mais de 14 horas depois. Ela afirma que a equipe alegou falta de vaga na UTI Neonatal e de equipamentos adequados para receber um bebê prematuro extremo.
“Disseram que estavam correndo atrás de vaga, que não tinha incubadora, que estava tudo ocupado. E eu ali, esperando”, contou.
Durante a espera, Bianca relata contrações intensas e dores fortes, além de atendimento ríspido de um médico: “Ele gritou comigo, disse que eu poderia perder o útero. Foi uma avaliação péssima. Eu já estava fragilizada”.
Quando finalmente entrou na cirurgia, a mãe diz que houve dificuldade para retirar a bebê, que estava muito “encaixada”:
“Eles não conseguiam tirar ela. Começou uma luta ali. Eu tentava manter o controle porque sabia que precisava estar calma para dar uma chance para ela”, contou a estudante.
O Óbito
A criança nasceu sem chorar e, cinco minutos depois, o óbito foi comunicado ao acompanhante da mãe. Bianca só recebeu a confirmação oficialmente na sala de recuperação anestésica:
O caso foi relatado nas redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal/Bianca Costa)
“Eu perguntei: ‘Doutor, cadê minha filha?’ Ele respondeu: ‘Você não ouviu? Ela nasceu sem chorar, teve uma parada'”.
Bianca afirma ter percebido sinais físicos que a deixaram desconfiada: “Quando tiraram a roupa dela, o pescoço estava totalmente roxo, inchado, como se tivesse sido quebrado. Aquilo acabou comigo”.
Bianca Costa – Foto: Arquivo Pessoal
Complicações pós-parto
Três dias após o parto, a mãe recebeu alta hospitalar, mas sentia dores intensas, febre e dificuldade para se movimentar. Ela procurou atendimento no Hospital Rio Amazonas, onde foi diagnosticada com infecção bacteriana grave e necrose abdominal, precisando passar por laparotomia:
“Eu fui contaminada por uma bactéria. O cheiro era de tecido podre. Eu tinha acabado de enterrar minha filha e estava lutando para sobreviver”, relatou.
Lesões na parede abdominal – Foto: Bianca Costa / Arquivo Pessoal
Bianca afirma que decidiu tornar o caso público após tomar conhecimento de outro episódio semelhante e busca justiça:
“Hoje a gente vive à base de remédios para conseguir sobreviver. Estou em tratamento psiquiátrico pra não surtar. Agora que consegui ter forças, estou falando”.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), que ainda não se posicionou. O espaço segue aberto para manifestação do órgão.